domingo, 14 de julho de 2013

O PASSEIO DAS NUVENS

Depois de um chover macio, passava por nós umas nuvens lindas, destoando do acinzentado das outras. Eram claras e fofas, feito enormes capuchos de algodão suspensos entre céus e terras.

Decerto a ciência explicaria o porquê daquelas nuvens debandadas, mas eu rechaço a explicação cheia de lógica da ciência, desmantelando a minha interpretação de que aquilo bem poderia ser o céu vestindo de branco a esperança.

O pequeno rebanho de nuvens rebeldes seria sim, segundo a minha romântica constatação, a esperança vestida com roupa de fé. Por que os momentos recém-acontecidos haviam exagerado no quesito emoção. E tem dias da emoção não gostar de ser boa. Tem dias dela insistir em desfilar a sua face de vilania e não há outro jeito senão aguardar, confiante, que o tempo as carregue embora.

O pensamento apresentava certa confusão. A face contrastava o olhar ainda marejado e dolorido, com um leve sorriso de encanto ao espiar o passeio das meninas que eram nuvens e lindas. Era possível apartar do tempo os momentos recém-vividos, mas no peito preenchido a angústia e amor fariam morada duradoura.


O carro em movimento, as nuvens passeadeiras, a mente reproduzindo o “me dá um abraço” suplicado pouco atrás. A impotência em não acalentar a súplica agia feito um golpe de esfinge a me perfurar o peito. Por que não eram de papelão aquelas grades a manterem aprisionados sorrisos e sonhos. Por que também não era um filme em que um super-herói surgiria e livraria a todos do perigo e sofrimento.

Super-heróis inexistem. A vida é real e de viés, feito diz a canção e nela os vilões choram feito meninos perdidos e só querem um beijo. E quem há de negar amor a quem tem um olhar implorando desabandono? O desejo era lançar uma mentira bem intencionada com garantia de final feliz.


O sentimento de impotência se guardou no peito, dividindo morada com a angústia e o amor, ganhando efêmera leveza enquanto o riso ainda se rendia de encantos pelas rebeldes nuvens menina, passeadeiras na infinitude dos céus. 


13 comentários:

  1. O que podem despoletar umas nuvenzinhas rebeldes...!
    Mais um belo texto, Milene!

    Beijo :)

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  2. Que as nuvens de esperança prevaleçam sobre as nuvens de mau tempo. Que o céu volte a ser habitado pelos voos dos passarinhos.

    Beijos.

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  3. Minha amiga "mulher do tempo", suas crônicas são legais demais viu! A gente sonha enquanto lê.

    Um beijão e tenha uma linda semana.

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  4. q tudo passa como um raio e nos traga alívio imediato. Bjos.

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  5. lindo lindo. Não sei nem o que te falar.

    #arrasou

    Bjos!

    borderline-girl.blogspot.com

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  6. MA-RA-VI-LHA,Milene!! Muito! beijos praianos,chica

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  7. Oi Mi

    Isto me pareceu tão leve como as nuvens. Que lindo!

    Beijos

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  8. Sabe o que mais me chama a atenção nos teus textos, essa mania linda de divagar por assuntos e andar pra lá e pra cá, usando palavras que poucos usam e fazendo associações que só podem sair do seu cérebro cheio de insonia!
    Vc é incrível! Sou mesmo tua fã! Beijao enorme e com nuvens lindas pra vc!

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  9. Oi Milene,
    Muito belo o que escreveu, construíste um passeio perfeito e lindamente das nuvens.
    Fico a admirar, tao bela que é de encher os olhos e alimentar alma. Parabéns , pela tamanha sensibilidade poética.
    Ja tem atualização, passa lá pra da uma olhadinha.
    Beijos!
    ótima semana!

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  10. Sou nova no mundo da blogosfera, trabalho como artesã, estou divulgando meu trabalho através do blog, poderia me ajudar? Vem me fazer uma visita :)
    bloghelenarte.blogspot.com.br/
    Espero que goste.
    Helena Porto

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  11. Texto encantador, Milene.
    Uma pérola em sensibilidade.
    Que a esperança e o amor se alarguem no peito, não deixando espaço para a angústia.

    Beijo.

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  12. Que bonito, Milene! Suas divagações são encantadoras e hipnotizam! Li tudo bem calmamente. Aliás, me acalmou. Beijão!

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