sábado, 27 de julho de 2013

PARA ALÉM DO DIA VINTE E SEIS


Na minha aborredolescência eu não costumava praticar letrices de punho próprio, mas minhas agendas e cadernos eram repletos de pensamentos alheios, com frases de efeitos bacaninhas que só. Ainda assim, sem serem meus, os escritos lidos em voz alta me ruborizavam a face num grau indizível.

Um dia pari o blog e cometi letrices do meu próprio punho. Eu sabia que era conversadeira, mas a minha conversa seria lida por pessoas do outro lado de lá, não correndo o risco, então, de ser acometida de rubor intenso. É deveras amalucada a alma de uma pessoa tímida, se é.

Eis que, maravilhosamente, cometi amizade com um bocado de gente que inventou de gostar do meu bocado de palavras. Mas minha timidez ainda estava a salvo, pois as pessoas do lado de cá, não o leriam, não me corariam até quase eu me transformar no verdadeiro morango do Nordeste... Confesso que prefiro as mangas rosas.

Quando escrevi pela primeira vez sobre o meu pai, quando desenhei um pouco a saudade, intimei os meus irmãos a lerem tudo, que se não fossem no blog, dessem os seus pulos, mas haveriam de ler. E foi quando minha mãe perguntou: “Como ela consegue dizer essas coisas? Minha filha é inteligente demais”. E uma irmã chorou, a outra também, e os outros exclamaram um “eita” admirativo e eu fui ficando um pouco besta.

Quando minha crônica, que não por coincidência falava sobre o meu pai, foi classificada para ser parte de um livro do Botafogo, meu irmão Geovane imprimiu o texto, porque ter e-mail pra ele é coisa recente, e levou pro trabalho pra exibir a irmã escrivinhadora aos colegas, todo orgulhoso. Desde então, do lado de cá, ele vem sendo meu leitor mais assíduo. Esses eu perguntei se ele havia lido qualquer coisa na internet, me respondeu: “sei lá, eu só sei que leio todo dia a página do Botafogo e o pétala rosadinha”... Eu sorrio escandalosamente por dentro com dizeres assim. E vez ou outra comenta comigo sobre uma postagem qualquer, dá palpite e puxa minhas orelhas fofas, feito quando citei a possibilidade de me tornar uma terroristazinha digitadora. “Não diga mais não que você é terrorista, nem de brincadeira”...  Sim senhor! Acatei de pronto, até porque do jeito que Obama anda fuxicando aqui e ali, vai saber o que ele fará de mim, né não?

É de um ano a nossa diferença de idade e quando chega vinte e seis de julho eu ouço os badalos do sino da minha idade que também vem chegando. É hoje o aniversário dele, meu irmão semi-gêmeo, pai do Thúlio e da Giovanna, marido da Nete, filho criado com requintes de mimos pela Dona Lourdes e Seu Luiz, irmão da gente e mais o Jean, e talvez eles dois até tivessem formado uma dupla sertaneja, se não gostassem tanto de outro som, outro tom, outra letra.

Ser amigo do Geovane é coisa fácil demais, só precisa jamais falar mal do Botafogo. E se você for fRamengo, a coisa fica um pouco estranha, mas se você for boa pessoa, ele tentará te convencer da horrivibilidade do seu time (cuja ideia eu compartilho), mas vocês se darão bem sim senhor.  E se puder, dê um pulinho no ginásio de esportes aqui perto, todos os domingos pela manhã, onde ele leva os meninos pra jogar bola e ficarem contentes.

Quem são os meninos? Um filho, um bocado de sobrinhos, amigos do filho, conhecidos daqui e dali que foram chegando e de repente eram muitos. Não é um projeto social, todos os domingos os meninos colaboram com o pagamento do ginásio e cada um comprou o seu próprio uniforme. Talvez seja um projeto de reapresentar a si mesmo uma outra vida, onde a arte de exagerar na cerveja do domingo não tem o menor espaço.  E não é que deu certo? Meu irmão é massa!

Decerto, no fim do ano haverá outra confraternização. Uma piscina. Muitos meninos. O Cicinho discursando sobre o quanto o Geovane é bacana e se dedica a essa pivetada. A nossa família lá, do lado dele, como toda vida foi e pra sempre será. "E ninguém cala esse nosso amor"...

Já se vão quarenta e cinco minutos além do dia vinte e seis de julho e não deu certo meu plano de correr uma postagem antes da meia noite.  Ah, o tempo! Precisa mesmo essa ligeireza toda?

12 comentários:

  1. Às vezes olho, constato o mundo capitalista, e vejo inutilidade nas coisas que as coisas se tornaram. Os clubes de futebol, hoje, é a marca registrada de um gasto de dinheiro fútil e vil...

    Mas,

    olho novamente, constato o mundo dos gestos, poéticos em sua essência, o "só sei que foi assim" e rio, choro... há muita história bonita no mundo.

    Dentre elas, a família Lima, que não é a dos músicos eruditos do Rio Grande do Sul, mas dos botafoguenses que moram na rua de traz. Um canto lindo do mesmo jeito.

    Tu se emociona daí que eu me emociono de cá.

    Um beijo.

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  2. Olá! O seu talento é único, divino, raro, poético, genial, filosófico! Parabéns ao a família toda, felicidades hoje e sempre! abração

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  3. Lindo demais e me emocionei ao te ler! beijos, de volta,chica

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  4. Menina, vc é especialista em emocionar. Parabéns ao Geovane, ele tá com a bola toda. Bjos.

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  5. Geovane receba os cumprimentos pela tua data querida, tua irmã vai conseguir deixar muitos olhos umidos de emoção, pode ter certeza.
    Teu jeito doce jamais poderá esconder de toda gente que passe por aqui... E quem te conhece um pouquinho sabe o tamanhão que tem esse coração... Parabéns pelo teu Geovane, que esse aconchego os envolva no amor que sentem, pra todo sempre!

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  6. Emocionada!

    Parabéens, Vone.
    Parabéns à vc, manga rosa do nordeste pelo lindo texto.
    Beijoss duplos.

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  7. Tuas rosadas letrices
    Lavradas de própria mão
    São Cecílias e Clarices
    Gabrielas Mistrais são
    São preciosas tolices
    São raras filosofices
    Que falam ao coração.


    (E se eu inda não disse,
    parabéns ao teu irmão!)


    Abraços ao Geovane.
    Recomendações à família.
    Beijos a ti.

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  8. Eita minha amiga, conversadeira e escrivilhona! Lindo isso aqui, visse!!!

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  9. arrasou arrasou.
    #prontofalei

    bjooo

    borderline-girl.blogspot.com

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  10. Ahh que delícia essa sua epopeia de escritora! Imagino o orgulho da tua mãe ai te ver publicada!
    Aqui em casa todo mundo achou que eu só estava brincando até meu primeiro livro ficar pronto! só assim me levaram a sério! Kkkk

    Beijooos!,

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  11. Que texto ótimo, Milene! E parabéns pro seu irmão! Aliás, eu, como torcedor do Fluminense, o entendo perfeitamente a respeito do ódio que ele sente pelo fRamengo. Mas, para a minha infelicidade, tenho muitos amigos flamenguistas. Procuro ver o lado bom deles, mesmo tendo esse DNA tão horrível. Beijos!

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  12. Oi MI,

    Posso imaginar o orgulho de sua família com os seus escritos, que tanto encantam.
    Parabéns ao Geovane, embora com certo atraso. Meu irmão aniversariou no dia 27. Que os caminhos de seu irmão sejam sempre iluminados e abençoados!
    Por um momento pensei que você também estivesse aniversariando na mesma data. Isto porque você disse que "quando chega vinte e seis de julho eu ouço os badalos do sino da minha idade que também vem chegando".

    Beijo.

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