sábado, 3 de agosto de 2013

DA MAIS CONCRETA ABSTRAÇÃO


Não importa as tantas vezes que esmiuçaram o amor e o espremeram versos, e o cantaram em desbotados clichês. É meu desejo dissertá-lo neste instante, dizer palavras repetidas e tolas em torno do que já se sabe... Ou jamais se saberá.

Pois bem. Que coisa sentida é essa que leva o sujeito do paraíso ao mais iminente abismo, numa viagem ligeira? Que poeta ou antropólogo, que músico ou psicólogo tem peito pra dizer que encontrou a perfeita definição sobre ele, o rei dos sentimentos, cumprindo mandato vitalício num regime de governo absolutista? O amor é isso, ou é aquilo também? O amor se basta em meias palavras?

Eu gosto de espreitar o “amar” alheio. Por que amar é muito além do que se vê. E senti-lo, também, é algo que transcende a compreensão dos tolos viventes metidos a espertos. Amar é morar numa casa cujas paredes mudam de cor mediante a condição sentimental da criatura que o comporta.

Nessa morada de paredes vermelhas e brancas, rosas e azuis em nuances bem vivas, se revezariam em estadias curtas ou demoradas, hóspedes como: cumplicidade, sofrimento, amizade, solidão, sexo, perdão, humor, entrega, carinho, desejo, prazer, atenção, ternura, saudade, dor, escolha, encanto, cor, alegria, paz, intensidade, ar... Tudo isso pedindo abrigo no mesmo músculo pulsante? Tudo isso e um bocado de outras possibilidades. O amor é bonito, bobo, guloso, distraído, bestão... Mas ele também é bonzinho e inclui, protege, sente, doa.

O amor é um doido varrido. Um completo fingido. O amor não pede licença, se há brecha, é invasor descarado dos solos desabitados por outrem da sua espécie. É cara de pau, é bem à prova do mal? É concretude e abstração, tudo misturado, tudo se completando num incompreensível e sublime elo sentimental, o qual ainda não se fez equação exata do porquê, nem pra quê.

Amor, então, é isso?

Ou não.


As palavras e frases em negrito foram extraídas 
de uma pesquisa de suma importância feita por mim, 
antropóloga amorosa instantânea, com uma população de doze viventes 
acerca de como os seus sentidos percebem o amor.
 Itallo, Rafaela, Cida, Aquiles, Denise Pinheiro, Ellen, 
Rafa Oliveira, Cristiano, Denise Araújo, Eder, Rodolfo e Tony, 
necessariamente nessa ordem, obrigada pelo papo amoroso. 

12 comentários:

  1. Esste texto me lembrou uma estrofe de uma canção do Tiago Iorc, em inglês, onde a tradução é assim:

    "Você passa a maior parte do tempo,
    procurando pelo amor que estará à procura do seu amor...
    Você ama guardar o seu amor para o amor.
    Passe mais tempo amando!"

    Tão abstrato tudo no mundo dos conceitos. Sou um amante das palavras, mas amorizar só atinge a completude na linguagem dos gestos.

    E nessa linguagem, não há filosofia que aquiete o meu bem estar, vez em quando piegas no alfabeto numérico, mesmo com suas 1001 indagações.


    Que a dona Filó Sofia vá dormir e você também, bem.

    Beijos.

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  2. Oi MíLi!
    Eita! Agora além de poetiza, cronista, contista e escrevilhona em geral, virou antropóloga do amor! E pesquisadora!

    Você é um barato minha amiga. E mesmo com esse texto falando coisas sérias e com sentimento, a gente consegue sorrir ao ler!
    Muito bom!

    Sabe eu acho que o estado de espírito vai do zero ao dez em segundos, porque a gente está vivo e presta atenção nas coisas... Só essa explicação é que eu tenho e dou pra mim mesmo. Tem gente que é frio e calculista, e não demonstra mudança de estado de espirito! Mas será que lá dentro nada muda mesmo?

    Sei lá viu...

    Um beijão minha amiga!
    Tenha um lindo final de semana.

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  3. O amor pode ser esmiuçado, falado, cantado, aclamado, espalhado, tantas coisas mais. Só vale, no entanto, se for SENTIDO e VIVIDO! beijos,lindo fds! chica

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  4. "Amar" - transitivo direto
    Onde o objeto é sujeito
    Pois amar algo concreto
    Nunca é amar direito;
    "Amar" é meio abstrato,
    Não se firma em contrato,
    Nem se garante perfeito.

    Mas... não é que eu me apaixonei pelo teu texto?
    Beijos.

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  5. a cada dia vc se torna cada vez mais a minha cronista preferida, sempre me surpreendendo e me encantando. Qdo vc fez essa pesquisa, eu nunca imaginaria q daria um texto digno de estar em um gde jornal de circulação. Bjos.

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  6. Amor, controverso amor!
    É confuso e necessário né Mi?!
    As pessoas descobrem o amor de diferentes formas, sozinhas, acompanhadas, de longe ou de perto!

    Lindo teu texto e muito bem contruido!

    Grande beijo!

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  7. Sem amor a vida é sem alma
    O privilégio de ser amado só é superado pela grandeza de amar...
    O amor é o mel que adoça esta existência tão sem sentido
    beijo Mi Lene

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  8. Maravilhoso texto. O amor é fogo!!! Beijo Mi.

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  9. Oi Mi

    Texto maravilhoso! Sua pesquisa antropológica resultou muito bem.

    Você diz quase o indizível.

    Um beijo



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  10. Texto incrível e pesquisa muita bem realizada com seus respectivos colaboradores! Em suma: o amor é tudo, incluindo nesse tudo o que há de melhor e pior também... bjssss

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  11. Adorei a imagem lá de cima...só vc minha Mi_nina inquieta! O texto/pesquisa de uma belezura tocante. Me lembrei de mamis e em sua simplicidade dizendo que o amor é o tempero secreto para suavizar a lida diária. E não é?!
    Beijuuss recheados do meu por vc!!!

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  12. OI MILENE!
    NÃO SEI...
    ACHO QUE O AMOR É DE CADA UM, COM SEUS MISTÉRIOS E SUAS SIMPLICIDADES, IGUAL E DIFERENTE, ENFIM, COMPLICADO, MAS, SIMPLESMENTE...AMOR...
    LINDAS CONJECTURAS SOBRE UM ASSUNTO "APAIXONANTE".
    ABRÇS
    http://zilaaniceli.blogspot.com.br/

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