sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O BEIJO DO SOL







Me fazia falta o Sol beijando o meu rosto pela manhã. Por que em horas parecidas eu estaria dormindo ou então o céu estaria num cinza de pouco charme. Na calçada eu era beijada pelo Sol enquanto esperava a carona para cumprir mais um dia de trabalho. Nascemos, todos, apenas para cumprir isso e aquilo?

Deixemos para depois as questões filosóficas, porque o meu ser preguiçoso se recusa a buscar determinadas certezas. Quantas são as certezas que nos cercam? Nem sei, mas talvez eu até goste de uma prosa com quem possa ter essa resposta. 

Então, enquanto Jean, o meu irmão, não surgia e eu namorava o Sol, um moço sorridente montado em uma bicicleta parou na calçada, imediatamente me estendendo a mão, dizendo um simpático “há quanto tempo, te reconheci de longe”... Há justiça nessa história? A gordinha de ontem, que continua gortinha de hoje, as inseparáveis muletas... Como não reconhecê-la? Enquanto isso eu penava para lembrar de onde o conhecia, qual o seu nome, será que éramos amigos do tipo inseparáveis e eu o havia deletado da memória?

Emendei perguntas clichês no estilo “que bom te rever”, quando a pergunta desejada seria “nos conhecemos mesmo de onde e de quando?”, enquanto ouvia dele algumas respostas que me serviriam como pista. “E a madrinha, ainda mora no mesmo lugar?”... “Como vai o Jean?”... E de repente, para me salvar da completa ingratidão com a minha infância, surge a irmã do moço semiestranho, a quem conheço das mesmas distâncias, com quem casualmente trombo vez ou outra. Memória recuperada, amém!

Minha memória não costuma deletar importâncias, ela só gosta de adormecê-las um tanto, para reavivá-las quando for preciso e bom. E de repente aquele moço do sorriso grande, que também se chama Jean, já não me era um completo estranho. Os Jeans se reviram e seguimos, cada um, nosso curso cotidiano. “Tem gente que tem um sorriso acolhedor, né? Já faz a gente gostar”... Perguntou-me o Jean, o meu anjo mais velho. 

É, tem, ainda, um bocado de gente que sorri e tudo é Sol beijando a gente... 



15 comentários:

  1. Há sorrisos que aconchegam até a alma! Lindo! beijos,chica

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  2. Realmente há pessoas que são verdadeiros sóis quando sorriem. Linda narrativa! Abraço

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  3. ...quanto a ser e ter, deixa estar.

    tb fico com o sorriso.


    beij00

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  4. Todos que conhecemos, em algum momento são sol e riso em nossa vida. Bjos, Milene e bom finde com sol e risos.

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  5. Eita MíLi! Quase que passou batido o rapaz hein!
    Eu também sempre faço dessas... Sou desligado pra caramba e não reconheço as pessoas!

    Hahahahahaha, quanto ao sorrisão... Eu acho que um sorriso sincero sempre é bonito! Até dos banguelas.

    Um beijão e um belo final de semana pra você!

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  6. Oi Mi

    Nossa, como isto é angustiante! Como o ponto fraco da minha memória é a fisionômica, vivo passando por este suplício, ter que enrolar a conversa sem que o distinto íntimo estranho perceba que ele foi temporariamente deletado dos arquivos, aff coisa desesperadora.

    O que me salva é que a minha memória para voz é boa e em geral recupero os arquivos perdidos tão logo ouço a voz da pessoa.

    Beijos

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  7. Vixi, faço isso tb! Se eu estiver sem óculos então kkkkkkkkkkkkkkkk

    Beijos!

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  8. Que situação, hein?
    Eu tenho mais dificuldade com nomes do que com fisionomia. Sei que conheço, mas não pergunta o nome, hehehe.

    Passando para desejar uma ótima semana, Mi!

    Bejus

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  9. Milene,
    Após regressar dum período de férias, nada melhor que receber a carícia das suas crónicas. É bom!

    Beijo :)

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  10. Olá Milene,

    Fiquei rindo aqui, pois já fiquei nesta saia justa, tentando puxar assunto enquanto remexia na memória-rsrsrs.

    Há sorrisos inebriantes, energizantes, fortalecedores, encantadores, iluminados, apaixonantes... Um sorriso sempre nos renova o ânimo e faz cócegas na alma.

    Beijão, querida.

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  11. Quando recebemos ou distribuímos sorrisos, inúmeras portas e possibilidades se abrem.
    Somente pessoas sensíveis conseguem perceber e sentir o beijo do sol.

    Lapsos de memória todos temos.
    Abraço.

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  12. Milene, querida,

    alguns sorrisos iluminam como o sol! faz um bem...

    Voce é uma pessoa sensivelmente bela.

    Bjs

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  13. Milene, quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. rs Adorei o texto mesmo não sendo fã de sol. bjs e bom fim de semana.

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  14. ps: adorei o passarinho se olhando no retrovisor.

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  15. Esse adormecimento da memória nos faz passar por cada uma (rss)!!!!!! Ainda bem que foi salva e ainda presenteada com um sorriso ensolarado. Bjs.

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