segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ERA UMA VEZ O ROCK



Foi-se embora daqui o rock, bebê. Acabou-se mais uma edição do lendário e outrora charmoso Rock in Rio, com todas as suas aparições superpops e alguns lampejos do ritmo que o concebeu. 

Por dias sofri de confusão musical crônica. Ivete Sangalo e seu intrépido axé maculavam o templo do rock e eu me perguntava quando Rod Stewart entraria quebrando todas as emoções com “Sailing”. Depois apareceu o DJ David Guetta, famoso que só, tornando a cidade do rock uma imensa pista de dança vertical e eu, meio louca, ansiando por ver a entrada do James Taylor e seu violão me fazendo chorar com  You Got a Friend. E mais tarde, entre uma e outra mudança de figurino da Beyoncé, eu apostava que entraria o Scorpions lascando qualquer tentativa de “insensibilização” de quem não achava que metaleiro também ama. Ok, Scorpions não é lá dos metais mais metais, haverão de dizer os amantes dos rótulos, mas a coisa foi linda demais e quem não tinha um amor tratou de inventar naquele instante pra dizer Still Loving You...

Mas era o Justin Timbarlake que se apresentava todo arrumadinho, lindo, com uma banda massa, trazendo um som bem bacana. Dizem por aí que é o novo Michael Jackson, será? O que eu sei mesmo é da minha alucinação em esperar entrar naquele palco os Paralamas do Sucesso perguntando por que as meninas do Leblón não olham mais pro Herbert Vianna, só porque ele usa óculos. Ou quem sabe o Cazuza e o seu Barão Vermelho, enlouquecidos de juventude e musicalidade, suplicando Pro Dia Nascer Feliz. E talvez viesse a Blitz, dizer que o rock pode ser leve sem ser babaca.

Padeço de saudade, doutor, eu bem sei. E ainda nem lhe contei de quando cantou o Bon Jovi e eu mesmo curtindo a simbiose entre os caras e o públicos, ansiei loucamente por ver o Queen desmantelando emoções e sensações ao cantar Love Of My Life. Mil Rock In Rios passarão e nada será mais clássico e fodástico. Eram uns caras, um microfone com pedestal levado pra cá e pra lá por um gênio chamado Freddie Mercury, e uma multidão entoando um canto lindo.

Saudosistas tem tendências a serem chatos, resmungam pelos cantos por coisas que não voltam mais. Eu assumo minha parcela de chateza e maluquice, isso é permitido quando se chega a uma certa idade e lá pra trás ficaram armazenadas um bocado de emoções. É que quando nenhuma lagriminha escapole dos meus velhos e sensíveis olhos, alguma coisa cá dentro de mim desemocionou. E isso me soa estranho.


Pelo menos o Coldplay volta pra cantar quando tudo no Rio já não for mais Rock? 


16 comentários:

  1. fantástica é você, escrevendo.

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    1. Devo amar esse anônimo, e vice-versa, mas quem será? Nomeie-se, por favor. E obrigada, obrigada!

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    2. Anônimo é anônimo ... vai saber os motivos de tanto anonimato, as vezes é respeito (?) Outras vezes ,só covardia mesmo ....

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  2. Fica apenas o grito, rompendo o nó de cada lembrança.


    [Ivete foi um deus nos acuda, fiasco cantando em inglês]


    beij0

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  3. Querida, você me transportou magicamente para o que foi, para mim, o momento máximo de todos os Rocks in Rio: a fantástica interação de Freddie Mercury com aqueles milhares de jovens, cantando "Love of my Life"!
    Um momento que ficará para sempre congelado nas dobras do tempo, revivendo na mente dos que assistiram, ao vivo ou mesmo pela TV!
    Bjs, Milene!

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  4. A Bia e o Daniel foram lá neste domingo. Perguntei quando voltaram, madrugada de hoje: "Como foi?" e ouvi um "Foi bom" meio murcho...
    Pela TV pareceu-me um sincretismo mal alinhavado de estilos diversos e conflitantes, embrulhado em poderosos decibéis....

    Beijo.

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  5. Oi, Milene! O post pode ter sido saudosista e até com um fundo de tristeza por tempos idos, mas foi criativo demais... discordo só um pouquinho (posso?) porque houve presenças para relembrar o velho e bom rock anos 80, e uns tantos novos que cheiram a inspiração de rock/pop de boa qualidade. A vida é assim, implacável em seus tempos virados na ampulheta.
    Esse ano fui no show do Paralamas...simplesmente fantástico, tocam todos os sucessos da carreira! E Coldplay, pra mim, também fez falta...
    Um abraço!

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  6. Ai ai ai, assim não vale, vc me fez ser saudosista tb. Tirando o ?osta do Bon Jovi (não guento minha irmã me dizendo, eu fui, argh), os outros velhotinhos do Rock são massa.

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  7. Realmente, teve muita coisa ruim, mas também teve muita coisa boa!
    Sepultura cantando junto com Zé Ramalho, mais de meia hora juntos! Mark Ramone tocando junto co Offispring e depois junto com o Misfists! Gogol Bordello que é boooooom demais!
    Sem falar em pequenas bandas desconhecidas até então me minha pessoa, mas que eu gostei demais.
    Poderia realmente ser melhor, mas se a gente olhar pro lado certo, nós enxergaremos algo bom!

    Um beijão minha amiga, fica com Deus!

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  8. Ficou o nome mas os tempos mudaram e mudaram as vontades..
    Na música os estilos se metamorfoseiam meu bem e não à como.
    Sendo completamente melomaniako só tenho pena de não ter estado aí no festival para curtir a festa.
    O que eu sinto comparando o significado que o nome duma banda tinha no passado para os dias de hoje é que a musica não é mais um veiculo de rebeldia, que identificava os seus fanáticos, como eu, como sendo drogados, marginais, hippies, etc.
    Hoje em dia a musica é produto de mercado e se massificou, então ficou tipo pastilha elástica, mastiga-se e deita-se fora, os gigantes se extinguiram...vai aparecendo um ou outro, mas nada com o peso duns Rolling Stones, Doors, Pink Floyd, isso acabou !!

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  9. Tá saudosa Mi? Eu tb! Só muda de quê. Fiquei satisfeita com Bon Jovi...mexeu comigo, com as tais gavetas das memórias. Cada um com seu cada qual (gôsto), né mesmo?! Como não ando enxergando muito bem e só aguentando ficar na frente dessa tela por trinta minutinhos,o som madrugada adentro fez-me bem. Dos metaleiros toforacumforça! Sou romântica baby...sou sim.
    Beijuuss nocê minha Mi_nina

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  10. Milene se não fosse a segunda semana com Bon Jovi, ZéPultura, Metallica e Iron Maden... Definitivamente meu show preferido seria o do Justin Timbarlake que desbancou muito roqueiro!

    Eu particularmente não gosto de ver outros ritmos nesse festival, mas já vimos que é impossível isso né? Foi-se o tempo...

    Mas Ivete é demais né?!

    Beijos!

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  11. Milene, adorei o texto. Do Rock in Rio, amei Bon Jovi, Offspring (que deveria estar no palco mundo no lugar da Ivete e não no Sunset), Bruce, Metallica e Nickelback. Espero que Colplay venha no próximo. Quero Roxette também. O pop e o rock caminham bem juntos. Só não entendo mesmo quando enfiam axé ali. bjão

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  12. Minha sobrinha foi lá e não voltou cheia de emoções (rss). Também sou saudosista confessa, pois a música nem sempre muda para agradar.
    Esperei passar a meia noite para entrar aqui por uma razão especial, o dia 29/09, que consta como sendo o de seu aniversário. Desejo-lhe alegrias incontáveis nesse novo ciclo que ora se inicia. Que suas inquietudes continuem a inspirá-la, a conduzir seus pensamentos como bordados em tecidos leves e mágicos. E que na vida lhe tragam, tão somente, resposta positivas. Parabéns!!!!!!! Felicidades mil!!!! Grande beijo.

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  13. Olá Milene,

    Como você, sou extremamente saudosista. Nunca fui ligada a rock, mas muitas músicas no estilo me marcaram em épocas distintas. O Rock in Rio já não é nem será o mesmo, pelo menos para alguns de nós. Belo texto!

    Estive aqui antes e cheguei até a colocar a minha carinha no google +, mas optei por voltar após à meia noite para lhe deixar os meus cumprimentos pelo níver.

    PARABÉNS! Que a nova idade seja portadora de grandes alegrias e sonhos plenamente realizados. Felicidades!.

    Domingo feliz, com muitos mimos e carinhos.

    Beijo.

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  14. Voltei porque me contaram - Rodolfo - que hoje é seu aniversário...
    Quero dizer que admiro demais sua personalidade dotada de transparência, sensibilidade e charme e desejo que nesse novo ano sejam curados os cansaços, as decepções, as tristezas e floresça, junto com a primavera, um ano lindo e cheio de perfumes pra ti.
    Um grande abraço, seja sempre feliz!

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