segunda-feira, 30 de setembro de 2013

OS SETEMBROS


Eu bem tentei criar uma crônica massa para contar desses tantos setembros vividos. Acho bonito isso de se agradecer, de se esmiuçar as conquistas e essa coisa toda de quando se atinge a maturidade.

Acontece que aos quarenta e quatro anos nem a uma música tem direito. Cadê o Paulo Ricardo que não me diz um Olhar 44? É meio bulliyng, eu acho. Mas a gente segue assim, sem canção personalizada, porque há sempre um maldito grilo a insistir numa serenata por toda a madrugada. Precisando me aprimorar mais na missão de exterminadora dos infames primos barulhentos das baratas, porque por aqui todo mundo anda grilado.

Pois é. Passou-se esse tempo todo e eu sem ter feito tanta coisa ainda. Nem um livro, ou árvore plantada, e o meu filho, cadê? Não, filho não. Ele chegaria na minha cama às seis da manhã e diria “mamãe, o Sol já chegou”, feito os filhos das minhas amigas. E eu não sei se teria um vizinho generoso ao ponto de recebê-lo quando eu resolvesse deixa-lo em alguma porta. Melhor não arriscar. Prefiro os meus filhos que são de outras, porque eu os amo tanto e ainda posso dormir até o meio dia. Não é bacaninha?

Da árvore, eu sei. Ainda há tempo e talvez eu esburaque o piso do meu quintal pra plantar nem que seja bananeira. E do livro? Valha-me Deus! Não consigo me convencer que alguém se sentaria confortavelmente numa poltrona, à luz do abajur, para devorar esse meu palavrório comum. Mas é uma possibilidade, oxente. Só não gosto de me fazer muitas promessas, porque sou uma automentirosa compulsiva.

No mais, viverei outros tantos (espero que muitos) setembros seguindo um roteiro indefinido e desejando que ele seja o mais incrível possível. Continuarei sem ambicionar alcançar o topo do Everest. Lá as pessoas congelam os dedos, morrem e dão um trabalho danado pra quem está cá embaixo subir na tentativa de retirá-las. É da natureza dos sonhos quererem alcançar o infinito, mas não há precisão de ser um infinito tão alto e frio, né?

Eu só sei que amei, que amei, que amei, feito diz na canção o Djavan. É das poucas certeza que tenho nessa vida. E não amei o suficiente, isso eu também sei. Por que amar é rio que corre sem jamais parar. Por que amar é infinitude maior que o céu quase alcançado no topo da montanha gelada. E a essa altura da vida, onde a maturidade é inerente à condição da idade, eu já sei que o mundo inteiro não me ama. Mas eu também sei que o meu pequeno universo é louco de amor por mim e isso é tão bom. É o olhar quem diz, é o gesto de afeto, é a palavra dita despretensiosamente... As minúcias. Os instantes. A sensação de que alguma coisa de boa eu devo ter feito nessa vida boa aperreada.

E assim eu quero continuar vivendo, de amores e abraços. De gestos e afagos. Da possibilidade de reparar os desentendidos. Do riso trocado. Da capacidade de suportar os dias horrendos. De ser mais alegre do que triste, porque a alegria é a melhor coisa que existe...


E não é? 


11 comentários:

  1. Milene,
    Eu amo esse seu jeito, criatura.
    Receba um abraço bem apertadinho, que os afectos também podem ser virtuais.

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  2. É! Em plena segundona, bem no meio de uma tarde, ouví-la..."alegria é a melhor coisa que existe" é sim!!! Você é muiiiito besta mesmo...quem lhe autorizou (pre)julgar o que nós faríamos com um livro seu? Eu hein?! Maturidade traz consigo essas bobices, insegurança, tb. Traz? Que nada...pra mim trouxe as chaves de uma utópica liberdade que pensa-se ter na juventude, mas que é na vivência/maturidade que vamos conquistando. Enfim, sinta-se afagada na alma...nessa única e iluminada que vc tem!
    Beijuuss Mi_nina amaaada

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  3. Meu cravo fez 6 anos dia vinte e saiu com essa: Mãe, eu tenho três namorada, mas papai só tem vc, se tiver mais não é certo. As pessoas de setembro são mais espertas, e pensar que nasci em agosto.
    Material para um livro vc tem, plantar um pau (na minha terra não diz árvore) ainda tem muito tempo, qto ao filho, adote mais...kkk. Tou esperando o pedaço do bolo. Bjos.

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  4. Hehehehehehhehehehe MíLi, deixa de ser preguiçosa menina e vá já fazer um fi... Ops, quer dizer; um livro!!! Já tá na hora de vc começar a escrever. Te prometo que lerei-o á luz do abajur!

    Quanto a plantar árvores no quintal... Sei não; isso não traria mais grilos??????

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  5. Mais um ótimo texto, recheando de assuntos, Milene. Olha, de tudo isso, eu só plantei árvore mesmo e ainda assim num vaso... rs O final poético foi o melhor. Adorei. bjs e boa semana.

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  6. Suas forma de escrever é contagiante e vai empolgando cada vez mais, por isso, um livro é um clara possibilidade moça: você tem talento! abraços

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  7. Milene, desejo muitos setembros, muiiiiitos mais e que neles nem importem se fizeste ou não isso ou aquilo. Vale ser feliz!! beijos praianos,chica

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  8. O Tempo é um presente...
    Os anos ensinam coisas que os dias não sabem.
    E que teu livro conta(ra)


    Beij0

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  9. Olá Milene,

    Eu achei a sua crônica massa.
    Eu já plantei uma goiabeira, mas ela só dá goiaba bichada.rsrs
    Você escreve lindamente e poderá se eternizar através da escrita. Filho é questão de opção. Árvore poderá ser plantada em qualquer estação. Tenho para mim que você já fez valer os anos vividos com o amor que existe em seu coração. Já lançou muitas sementinhas preciosas neste mundo.
    Que venham muitos setembros felizes, com a realização dos seus mais profundos sonhos.

    Beijo.

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  10. Cada crônica sua inaugura um novo setembro em nossa alma.
    Seja eterna essa primavera.
    Beijos.

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  11. Mi... quer ler meu livro? Prrciso fazer você mudar essa coisa por leitura e agora pir escrita.
    Vc tem cara de Companhia das letras sabia? Deveria escrever logo um livro porque vc tem muito o que contar! Mas plante arvores sim... só não faça filhos. .. o mundo já está superpopulado.
    Beijos

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