terça-feira, 25 de junho de 2013

OLHA PRO CÉU, MEU AMOR...


QUERO SER BONITA E ENGRAÇA PRA SEMPRE... 
POR FAVOR, CONCORDEM.

Você está bonita e engraçada nessa foto”... Um amigo me fez esse comentário há algumas horas, acerca da foto onde o milho tenta, em vão, ofuscar o meu charme agrestino e eu, que a princípio fingi desconfiança, achei original e bonito que só o elogio.

No momento dessa foto, em que me disseram bonita e engraçada (quero ser isso toda hora agora) havia uma lua linda no céu. Há dias diziam que na noite de ontem ela estaria mais próxima da terra e por isso, perspectivamente maior. Não sei. Minha leitura científica é quase nula, mas minha leitura romântica gosta dela de todo jeito. Então, enquanto comia o milho assado pelo meu irmão Jean, na calçada da minha mãe, eu espiava pro céu de inverno a todo instante, querendo gritar: “criatura prateada do céu, como você está deslumbrante!”...

LUA URBANA...
LENÇOL DE PRATA SOBRE NOSSAS CABEÇAS

Enquanto a lua fazia vigília lá de cima, no terreiro as crianças corriam e se divertiam com os os brinquedos de fogo. Chuvinhas, traques e outros mais modernos iluminavam ainda mais o ambiente e arrancava sorriso delas. As bombas... pausa para respirar... Das bombas eu só queria saber quem diabo as inventou. Por que alguém algum dia achou divertido aquele barulho de guerra e resolveu inseri-lo numa festa tão bacaninha e inocente? No imediato instante em que uma bomba junina é lançada aonde alcancem meus ouvidos, um ódio profundo toma conta do meu ser amoroso e eu fico com bastante vontade de encontrar quem a soltou, para docemente colocar dentro da sua boca.
Mas, sim, sou uma pessoa boa e doce.

Falando em amor, doçura, e tudo mais que seja bom dentro do coração da gente, eu acho que ontem vi o amor. Fez-se concreto à luz dos meus olhos e foi quando vi minha irmã com o Miguel, que a vida lhe deu, aconchegado nos braços. Eu que a conheço tão bem jamais pensei que em menos de uma semana da chegada desse menino na sua vida, o brilho nos olhos dela mudasse completamente. “Eis minha razão de viver”, ela já diz. Que espécie de magia é essa a transformar tão lindamente o jeito de ver e viver de uma pessoa, porque agora ela tem o direito de ser mãe? Eu não sei, jamais saberei, mas ver isso de perto é uma das maiores emoções da minha vida, é sim! O Miguel, que não tinha ninguém, agora tem pai e mãe e um bocado de gente a lhe dar amor.

MIGUEL - TÃO MIÚDO E TRANSMISSOR
 DE UM AMOR TÃO PODEROSO

Acabou-se a noite junina e veio o dia preguiçoso de feriado que mais parecia uma extensão do domingo. E de tarde lá se vem discurso presidencial, pois, em virtude dos protestos que não cessam, Dona Dilma achou por bem vir a público lançar pactos e promessas a fim de estancar um pouco a sangria. Agora, tia? Agora é necessário se priorizar a educação? Agora a corrupção deve ser considerada crime hediondo? Agora todos os outros lero-leros? Eu perguntaria, se oportunidade tivesse, segurando meiga e dicunforçamente no seu cabelo cheio de laquê, o porquê de tanta demora em fazer o óbvio inerente à sua função. Mas, abraço amorosamente o sábio clichê e digo: antes tarde do que jamais... Né não?

Esperemos. E se preciso, marchemos de flores em punho.

Um beijo. Uma lua. Sem bombas. Inté!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

DIAS BONITOS

GRITOU-SE BONITO TAMBÉM POR AQUI 
ARAPIRACA, 18/0613

Vivemos dias bonitos. Dizem, aos quatro cantos, que o gigante acordou. Vivas! Sou parte disso, sou um pedaço desse gigante até ontem adormecido e judiado desde que avistaram as suas terras lindas e ricas.

Vestiu-se de verde e amarelo corações e peles. Nas ruas não há carros nem ônibus com suas passagens de afronta, estopim para o grito preso na garganta. Nas ruas há gente e revolta. Há gritos de “basta” para a estupidez legitimada no ato da suprema democracia, o voto. A estupidez recorrente e permitida. Permissiva.  Somos nós os seus patrões. Temos nós o poder. É nossa a obrigação de devolver-lhes com um sonoro tapa na cara parlamentar o serviço mal feito em oportunidades anteriores. 

É sublime o grito. Reconfortador o despertar do amor e do orgulho pelo país que ajudamos a construir todos os dias. Patriotismo de hora? Modinha? Não sei. Ninguém sabe. A única coisa sabida é da grandeza do que está sendo feito e dito, aos quatro cantos, ecoando nos ouvidos do pseudo poder – porque o verdadeiro poder somos nós – a fazê-lo franzir o cenho de receio pelo que estar por vir.

E o por vir não pode se limitar aos ressonantes e sintonizados gritos. É preciso ir além. É fundamental estender o fôlego até o exato momento de apertar a tecla CONFIRMA quando da próxima eleição. Parar de dar boa vida a quem só quer saber da vida pública para benefícios próprios é obrigação de quem de fato deseja um país acordado, não um país de acordos feitos num porão cheio de ratos, legitimados por nós.

Ontem passearam por aqui, minha singela capital do agreste alagoano, cartazes e vozes. E jovens. E a gente toda inquieta e inserida no contexto revolucionário. Sorri, orgulhosa, ao ver as fotos instantaneamente publicadas pela minha Giovanna, adolescente, exímia representante da geração smartphone, que provavelmente nunca se imaginou participando de nada parecido, portando cartazes e beleza na passeata, ela e suas amigas da mesma idade e inocência. Sorri, orgulhosa, ao ver fotos e palavras do meu amigo Itallo, tão mergulhado nesse processo todo, tão cheio de convicções e sonhos legitimamente brasileiros desde o momento em que se decidiu fazer a protesto por essas bandas.

Cuidemos da consciência política das Giovannas, Marias e Ingrids, futuras eleitoras deste lugar. Multipliquemos os Itallos, jovens comprometidos com a condição de cidadão brasileiro, inconformado e sedento por dignidade e justiça social.


Serão, assim, espécies de palito de fósforos a manterem abertos os olhos do gigante, os filhos fortes e bravos da Pátria amada, Brasil.


domingo, 16 de junho de 2013

SOBRE FLORES, PENSAMENTOS E REVOLUÇÕES


Os minutos do domingo já fazem figura pela madrugada.  Logo mais nascerá o sol e todos teremos horas inteiras para desfrutar da forma como melhor aprouver. Não é a insônia que me faz estar aqui, quase duas da madrugada. Eu sempre gostei de testemunhar o passeio da noite, desde pequena, quando ficava na sala vendo os corujões na TV, enquanto minha vó gritava um milhão de “vem se deitar menina”, na sua voz incapaz de ser desagradável.

Mais tarde, quando chegar o Sol, penso que não haverá revolução, por um dia ao menos. Porque domingo combina mais com flores e passeios no parque, do que com revoluções. A semana toda, o que se viu, foi um grito forte e coeso de gente dizendo que é preciso mudar o que está errado. Sei que há um tanto de exagero na minha palavra quando digo “revolução” para me referir as passeatas de protesto acontecidas, mas é que eu gosto muito do significado dessa palavra e acho que o que está acontecendo, considerando-se a absoluta falta de reclamação organizada desse imenso pedaço do mundo, não deixa de ser uma revolução. Se acontece, a princípio, apenas no pensamento, já é de boa valia.

Eu, se pudesse, trocaria bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha, pedras, destruição, intolerância e lágrimas por um bocado de flores, de todas as cores, flores. E, de flores em punho, haveria o confronto das ideias, sem um átimo de resquício de injustiça. É um pensamento tolo, eu sei. “Não há revolução sem sangue”, me disseram. Talvez meu pensamento tolo tenha envelhecido e se cansado da guerra. Perdi por aí, há tempos, a minha ideologia, quando vi os meus heróis contestadores e rebeldes se tornando lacaios do sistema. O tempo passou. Outra juventude acontece e se inquieta com o desmantelo político-social. É bonito que só! Meu pensamento velho até sorriu e pensou que era bom estar lá, no meio deles. Mas meu pensamento velho não ia querer ferir nem apanhar. Meu pensamento velho só ia querer apontar o dedo e gritar o mais alto possível o quanto o tanto de coisa errada que se vê, é possível reconstruir.

Meu pensamento velho então se cala e apenas atenta, orgulhoso, mas um tanto ressabiado, feito um pai preocupado com o filho que sai sozinho pelo mundo perigoso. Mas, sabe que é preciso lançar o grito a ser ouvido e sentido do canto mais remoto.

Gritou-se hoje. Vaiou-se a liberdade no horizonte do Brasil. Cantou-se o hino à Pátria de chuteiras. A dama, constrangida, proferiu algumas palavras nem por ela mesma ouvidas. Respondeu-se com mais vaias. É a revolução. É a discordância. A profunda insatisfação com o estado apodrecido das coisas, as quais por muito tempo se suportou calado. A multidão outrora calada agora tem voz e grita.

Meu pensamento velho, quieto, torce para que a palavra seja sempre mais forte e poderosa do que a pedra e a pimenta. Meu pensamento velho vibra quando se indigna a multidão, mas rechaça a injustiça, mesmo quando ela é pretexto para se chegar a uma conquista maior. Meu pensamento velho e tolo não se cansa de sonhar com um mundo onde paz e justiça social não sejam antagonistas numa mesma fita da vida real.





quarta-feira, 12 de junho de 2013

FALTA-ME SIMPATIA

imagem que roubei de


Às primeiras horas do dia doze de todo o tempo, já se começa a agonia amorosa para se dizer ao amor e à amora o quanto se ama até o infinito,  tudo envolto num embrulho estampado em coraçõezinhos vermelhos e um bocado de mel jorrando feito água. Uma lindura!

Para os amorosamente desfavorecidos resta se deixar enternecer pelo amor clima amorosidade nagô alheio, discretamente torcendo para que o dia acabe logo e a solteirice deixe de ser semelhante a se caminhar vestida de burqa em pleno verão nordestino.

Enquanto isso, você tem que conviver com as gracinhas carecidas de mais criatividade dos amigos que não perdem a piada, mas também não perde o amigo. E haja marcação em postagem tosca! Ontem um querido amigo marcou meu pré-nome afrancesado numa das inúmeras imagens de solteiras desesperadas colocando o pobre Santo Antônio de cabeça para baixo, de castigo até lhe apresentar um sapo que prestasse pra virar príncipe. Fofa que sou, falei pra ele deixar quieto o santo, porque o que seria de mim se o Antonio se vingasse e enviasse uma bagaceira feito ele? Por mil camelos, não! Eu também sou boa em não perder a  piada  e jamais o amigo, porque gosto dele que só! Então, entre uma piadinha e outra, uma simpatia sugerida para se sair do caritó, a vida solteiríssima vai seguindo.

Eu tenho facilidade em odiar rótulos. Os que se aplicam à solteirice, então, quero pisá-los todos de pé e muletadas. Caritó. Encalhada. Solteirona. Titia... Justo eu, tão verticalmente pequenininha, ser chamada de solteirona? Solteirinha eu até aceito. Titia também, orgulhosa e brava, sou titia sim senhor! Agora, o caritó eu não sei onde fica. E encalhada... Vai bem a sua vovozinha?

É verdadeiramente uma lástima a vida dos sem-amor em dias assim, essencialmente melados. A pessoa comprometida espia o amigo solteiro meio constrangida pela sua própria plenitude amorosa, mas isso é totalmente desnecessário. Eu não me lembro, por exemplo, de nenhuma mangueira se desprender das suas raízes no vinte e um de setembro e me envolver num abraço solidário, só porque eu jamais pari mangas. Ou Tiradentes me oferecendo o laço no vinte e um de abril.

O fato é que o dia da namoradice está se esvaindo em horas açucaradas e logo chega o dia comum, naturalmente doce ou azedo, ao gosto do vivente. Uns amando e felizes. Outro amando e se lascando. Outros carregando, sem muita graça, a bandeira da solteirice crônica, beijando um sapo aqui, outro acolá. E santo Antonio, coitado, o cabra mais castigado de todo o velho oeste celeste, por desesperadas em busca de cuecas boxers para lavar. Eu acho as comuns mais desprovidas de pretensão sedutora, naturalmente mais bonitas, portanto.

Cabou-se o dia da namoradice. Mas amanhã ainda é dia do Tonho, o milagreiro casamenteiro. Ouço música com os meus fones de ouvido, enquanto a TV está ligada no jogo do Fluminense, sem volume, e antes que eu decidisse desligá-la, avistei sem dificuldade o árbitro dessa partida, coisa que me fez arriscar, na falta de uma simpatia, um bilhete simpático:


“Tonho, meu filho, estás com a TV ligada? Por acaso visse o juiz apitador do jogo Fluminense x Portuguesa? Preste bem atenção e anote o meu endereço, que deixarei inbox. Fique bem e não beba todas as cachacinhas que oferecerem ao santo, não és o único deles, beleza? E não se aperreie tanto com as desvairadas loucas para casar, releve o desembesto da solteirice. Pior seria se fosses, tu, o santo do sexo selvagem, já pensaste na bagaceira? Inté e bença!”


segunda-feira, 10 de junho de 2013

A CHUVA ME DISSE


Choveu uma chuvinha boa, chuvinha pouca. Era de noite e choveu sobre a minha cabeça. Eu não a impedi de umedecer os meus cabelos. Eu, antes de fechar os olhos e senti-la, olhei pro céu noturno e quis que ela viesse farta, numa espécie de súplica para que levasse, lavando, tudo quanto houvesse de impureza até aonde meu coração alcançasse. Mas ela só me concedeu uma espécie de afago, o que aceitei de bom grado. Tivesse caído um bocado de chuva, eu teria me convidado a dançar com ela pela terra molhada. Eu teria me permitido rodopiar e sorrir numa dança eufórica e cheia de esperanças. Mas choveu uma chuva breve e boa, que afagou os meus cabelos enquanto eu mantinha os meus olhos fechados e os pensamentos bem abertos. Nas suas entrelinhas d’água, ela me desenhou promessas de que dias e noites se alternarão na tentativa de apaziguarem o caos. Haverá de sempre se encontrar trilha menos tortuosa para se caminhar. Há de sempre existir motivo de chuva para se dançar. E sonhar nunca será um despautério. A chuva me disse que esperançar é melhor que chorar... 


sexta-feira, 7 de junho de 2013

PALAVRAS DE PADARIA



Amores indigestos
palavras de padaria
também poemam poesia


       e matam a fome dos homens
       dos tolos desmiolados


sedentos, desesperados
por um pedaço de sonho
por um retraço de carne

        amores desinventados
        secretos, esmiuçados


quem nunca os mastigou
que atire o primeiro verso
que beba um gole de choro



e arrote o último verbo
da sua vã existência


       não mentir amor é demência


terça-feira, 4 de junho de 2013

ENTRE GRILOS, BORBOLETAS E O CÉU CHOVENDO ESTRELAS


Rafaela postou agorinha essa imagem, no meu mural, porque amigos são assim de cuidar...
e eu achei tão lindo que carreguei pra cá. 


Estou numas de iludir a noite, contar-lhe doces e poéticas mentiras e quem sabe eu a convença que uma boa parte das suas horas é feita para se dedicar ao sono. Morfeu, Hipnos, não quero acordo com esses polígamos que carregam qualquer um pra cama e quando mais preciso deles para adormecer um dia estranho, cadê? Dormem sem mim! Inadvertidamente mergulham nos seus mundos fantásticos e serenos, sem me darem reles possibilidade de acompanhá-los e assim a noite acontece. Escura e só. Plena de pensamentos despertos e confusos, completando a missão do dia que estufou meu coração no peito, fazendo parecer um peito pequeno pra um bocado de corações. Mas hoje eu não estou com a menor vontade de acompanhar a noite entregando as chaves pro dia recém-nascido e os dois num descarado ajuste de acontecimentos, passando o turno um pro outro e ela, a senhora dona da escuridão, dizendo pro senhor das nuvens claras: “ocorreu tudo numa tranquilidade imensa, só essa louca que resolveu não ceder ao sono e no seu silêncio ruidoso me fez companhia”... Hoje eu lhe contarei histórias de dormir. Direi os poemas mais lindos. Cantarei canção de acalmar quantos corações se tiver no peito miúdo, doce e acolhedor acalanto. Hoje eu adormecerei a noite e ela, comovida, me deixará adormecer com ela, entre grilos, borboletas e o céu chovendo estrelas. 


domingo, 2 de junho de 2013

"É A PORRA DO BRASIL"

Há alguns poucos anos estive num festival de música aqui na minha cidade, trazendo um bocado de bandas boas do rock nacional, e tal, só pra rimar. Antes do show dos Paralamas tivemos os Detonautas, Tico Santa Cruz mandando ver no rock and roll... Foi um show verdadeiramente contagiante.

Chegada a hora de cantar “Que Pais é Esse”, canção imortal da Legião Urbana, o povo caprichou no refrão alternativo, já marca registrada seja quem for a interpretá-la. Quando o artista canta “que país é esse?”, o povo imediatamente responde: “é a porra do Brasil”, em uníssono, peito estufado para que o universo perceba a sua insatisfação.

Lembro-me bem da reação do Tico quando o povo entoou o refrão que já é clichê incorporado à música. Parou tudo e disse mais ou menos assim: “Peraí, rapaziada. Essa porra de Brasil é o seu país, feito por você. É bom prestar atenção no que diz, porque pode estar dizendo contra si próprio”. O público imediatamente fez um mea culpa e atirou-se num recrudescente aplauso às palavras do cara, evidentemente sem muita certeza do que fazia, porque se ele voltasse atrás e remendasse um “é a porra do Brasil mermo”, tudo aplaudido seria outra vez... Enfim.

Vi circulando pela net uma imagem com dizeres do tipo “não vá ao Brasil, lá não tem leis, lá as pessoas são estupradas dentro dos ônibus” e tal, e etecétera. E segundo constava na legenda, essa imagem está passeando pelo mundo com essa poesia difamatória sobre o meu Brasil varonil-il-il. É mentira? Claro que não. Mazelas, feiuras é o que não falta por essas bandas, de cabo a rabo, de lá pra cá, de cá pra lá. São esquisitices proporcionais ao tamanho do país e não são recentes. É desde que o mundo decidiu-se chamar por esse nome, mas isso não dá o direito de um gringo filho da mãe dele sair por aí desdizendo o que essencialmente somos. Crime não é nossa particularidade. Bizarrices são inerentes ao ser humano e até que me provem o contrário, isso que existe do lado de lá de todas as fronteiras, também se trata de gente.

Portanto, gringo, se sua pessoa não quer mais passear por aqui, voe até a Coreia do Norte. Passe uma temporada no Afeganistão. Hospede-se nos albergues iraquianos. Refestele-se nos rios limpos da Índia. Seja calorosamente recebido na terra do Tio Sam, principalmente se você for de um país emergente. Voe de balão na Turquia, é bem seguro. Embarque nos metrôs de Londres, não há perigo algum de ser morto pela polícia, antes de sequer perceber presença dos soldados da rainha.

Divirta-se por aí, gringo. Mas não fale mal da porra do meu país, porque só eu posso fazê-lo e amá-lo, sem patriotismo cego, sem devoção desmedida, apenas numa espécie de nuance materna, de mãe que ama o filho mesmo que este seja um cabra safado, sem jeito, sem prestar pra nada. Hei de vislumbrar uma coisa qualquer a ser feita, além de me alojar no comodismo do desdém e achincalhe, que muitas vezes soa como pretexto para não fazer coisa alguma para o seu bem.

Eu, por vezes, não atento que o seu bem é o meu bem. Ele é o que eu, de certa forma, o permiti ser, ainda que não tenha contribuído para os seus rompantes de vilania, quando me omito, eu o permito ser ruim e injusto.

Que país é esse? É a porra do MEU Brasil. Esculhambe não, porque de esculhambação o bichinho está farto.

Atenciosamente, eu.


Em tempo: 
a palavra recrudescente nem caberia 
onde foi devidamente instalada, 
mas eu me apaixonei por ela numa postagem do Rodolfo 
e então, cá está. 
Eu a usaria hoje nem que fosse numa receita.  
Tipo: acrescente dois recrudescentes ovos batidos... 
Sou culta que só!
  Inté!