terça-feira, 30 de julho de 2013

O PAPA É MASSA


Ainda é segunda-feira. Eu ainda tenho cólica, fiel companheira desse dia sem chuva. É segunda-feira, eu tenho cólica e um tanto de nostalgia pra esse fim de noite fria. Não está de todo ruim.

Foi-se de volta para o mundo dos inatingíveis o Papa Chicão. Será? De todo o meu coração eu espero que não. Que se revele em mudanças significativas todo aquele carisma traduzido em mais de três milhões de pessoas ávidas pelas suas palavras nas areias quentes daquela praia bonita. Meu encantamento não é de religiosa. É de quem gosta das pessoas de bem o meu encantamento, e parece ser assim o Papa Francisco, carregando a mesma humildade do santo que inspirou o seu nome escolhido e disposto a dar a sua contribuição pra que esse mundo caminhe, em todas as esferas, pra ser uma coisa melhor.  Eu queria uns minutos de prosa com ele, falaríamos descontraidamente sobre o céu e o chão.

Mas aí, em meio ao mar de gente cantando a paz e ouvindo a voz do homem de fé, estavam as vadias e os seus gritos de... Gritos do quê mesmo? A marcha das vadias me queimaria na fogueira dos sutiãs de outrora, caso lessem tamanho despautério da minha parte, sendo eu mulher e não lhes atestando o meu sacramentado apoio. Só que eu não entendo esse protesto e peço desculpas pela minha total falta de leitura antropológica, sociológica e afins. Então, é preciso mostrar peitos e bundas pro Papa, para se dizer o quanto é sofrível a condição da mulher? Então o Papa deveria, lá do alto da sua contemplação religiosa, dizer “sim, abortem o quanto quiserem”? Então, quebrar crucifixos e imagens é uma atitude descolada, intelectual e lógica, para se demonstrar o porquê de se exigir um estado laico? Estivesse lá o Pastor Feliciano, lendo os cartazes de “Sou GLBTSXASWQW e o Feliciano não me representa”, ele certamente diria: “aleluia, irmão, obrigada por isso”.

O fato é que o papa mais pop de toda a história partiu de volta para o seu aconchego europeu, enquanto por aqui ainda se respira a sua presença. Há quem também se sinta aliviado com a sua partida, como por exemplo a pestinha Isabella, que vivia a resmungar pelos cantos que “nesse Brasil não se assiste mais uma novela, depois que esse Papa chegou”. Não é fácil a minha adventistazinha.

Diminuindo as matérias televisivas sobre a JMJ, voltaram as notícias do país em toda a sua intrínseca feiura. IDH pra cá, taxas sei lá do quê, pra lá... E que estado do país estaria tal qual o Rubinho Barrichello na corrida pela educação? O meu, é claro! Alagoas quer carregar esse troféu ao contrário pelo resto da existência, é o que parece. Na terra do presidente do Senado, o viajandão dos aviões da FAB, educação é artigo de luxo, oxente! Fico cá imaginando o quanto consternados os meus senadores estão diante de tal situação constrangedora. Penso num diálogo entre Collor e Renan, que seria mais ou menos assim:

- Presidente, Vossa Excelência viu no JN, que continuamos carregando a última colocação no quesito educação nacional?

- Fale baixo, meu querido inimigo político. Vai que o povo de lá desperte e perceba a boa bisca que nós somos, enquanto dorme está garantida a nossa cadeira.

- Verdade, Excelência. O senhor é dos pilantras, o mais inteligente. Deixemos dormentes os arigós conterrâneos. Sem educação eles não saberão jamais o que fazer com o poder que tem nas mãos.

Deixemos pra lá os abutres. Quero dormir com a paz e perspectiva das palavras do Francisco, que acha possível católicos, evangélicos, outros religiosos e até os que não tem religião alguma, serem tudo uma coisa só, desde que se proponham a fazer o bem. Gosto disso que só!


sábado, 27 de julho de 2013

PARA ALÉM DO DIA VINTE E SEIS


Na minha aborredolescência eu não costumava praticar letrices de punho próprio, mas minhas agendas e cadernos eram repletos de pensamentos alheios, com frases de efeitos bacaninhas que só. Ainda assim, sem serem meus, os escritos lidos em voz alta me ruborizavam a face num grau indizível.

Um dia pari o blog e cometi letrices do meu próprio punho. Eu sabia que era conversadeira, mas a minha conversa seria lida por pessoas do outro lado de lá, não correndo o risco, então, de ser acometida de rubor intenso. É deveras amalucada a alma de uma pessoa tímida, se é.

Eis que, maravilhosamente, cometi amizade com um bocado de gente que inventou de gostar do meu bocado de palavras. Mas minha timidez ainda estava a salvo, pois as pessoas do lado de cá, não o leriam, não me corariam até quase eu me transformar no verdadeiro morango do Nordeste... Confesso que prefiro as mangas rosas.

Quando escrevi pela primeira vez sobre o meu pai, quando desenhei um pouco a saudade, intimei os meus irmãos a lerem tudo, que se não fossem no blog, dessem os seus pulos, mas haveriam de ler. E foi quando minha mãe perguntou: “Como ela consegue dizer essas coisas? Minha filha é inteligente demais”. E uma irmã chorou, a outra também, e os outros exclamaram um “eita” admirativo e eu fui ficando um pouco besta.

Quando minha crônica, que não por coincidência falava sobre o meu pai, foi classificada para ser parte de um livro do Botafogo, meu irmão Geovane imprimiu o texto, porque ter e-mail pra ele é coisa recente, e levou pro trabalho pra exibir a irmã escrivinhadora aos colegas, todo orgulhoso. Desde então, do lado de cá, ele vem sendo meu leitor mais assíduo. Esses eu perguntei se ele havia lido qualquer coisa na internet, me respondeu: “sei lá, eu só sei que leio todo dia a página do Botafogo e o pétala rosadinha”... Eu sorrio escandalosamente por dentro com dizeres assim. E vez ou outra comenta comigo sobre uma postagem qualquer, dá palpite e puxa minhas orelhas fofas, feito quando citei a possibilidade de me tornar uma terroristazinha digitadora. “Não diga mais não que você é terrorista, nem de brincadeira”...  Sim senhor! Acatei de pronto, até porque do jeito que Obama anda fuxicando aqui e ali, vai saber o que ele fará de mim, né não?

É de um ano a nossa diferença de idade e quando chega vinte e seis de julho eu ouço os badalos do sino da minha idade que também vem chegando. É hoje o aniversário dele, meu irmão semi-gêmeo, pai do Thúlio e da Giovanna, marido da Nete, filho criado com requintes de mimos pela Dona Lourdes e Seu Luiz, irmão da gente e mais o Jean, e talvez eles dois até tivessem formado uma dupla sertaneja, se não gostassem tanto de outro som, outro tom, outra letra.

Ser amigo do Geovane é coisa fácil demais, só precisa jamais falar mal do Botafogo. E se você for fRamengo, a coisa fica um pouco estranha, mas se você for boa pessoa, ele tentará te convencer da horrivibilidade do seu time (cuja ideia eu compartilho), mas vocês se darão bem sim senhor.  E se puder, dê um pulinho no ginásio de esportes aqui perto, todos os domingos pela manhã, onde ele leva os meninos pra jogar bola e ficarem contentes.

Quem são os meninos? Um filho, um bocado de sobrinhos, amigos do filho, conhecidos daqui e dali que foram chegando e de repente eram muitos. Não é um projeto social, todos os domingos os meninos colaboram com o pagamento do ginásio e cada um comprou o seu próprio uniforme. Talvez seja um projeto de reapresentar a si mesmo uma outra vida, onde a arte de exagerar na cerveja do domingo não tem o menor espaço.  E não é que deu certo? Meu irmão é massa!

Decerto, no fim do ano haverá outra confraternização. Uma piscina. Muitos meninos. O Cicinho discursando sobre o quanto o Geovane é bacana e se dedica a essa pivetada. A nossa família lá, do lado dele, como toda vida foi e pra sempre será. "E ninguém cala esse nosso amor"...

Já se vão quarenta e cinco minutos além do dia vinte e seis de julho e não deu certo meu plano de correr uma postagem antes da meia noite.  Ah, o tempo! Precisa mesmo essa ligeireza toda?

domingo, 21 de julho de 2013

E VICE-VERSA



Como se fosse preciso garantir a sua amizade e a minha, destinou-se um dia que fosse vinte, pra ser só de festejá-la. Decerto, quem elegeu um dia só, nunca será capaz de esmiuçar os seus encantos, que dirá mensurá-la. É coisa bonita feito o arco-íris surgido depois da chuva. É coisa bonita e tem vezes de ser meio aperreada.  Eu e você somos tão iguais e por isso tão amigos. Eu e você somos tão diferentes e por isso tão amigos.  Por que a busca pela perfeição é vã e estúpida, eu e você apreciamos mesmo as peculiaridades e incompletudes que vemos um no outro. Estranho seria não me imaginar seguindo os seus passos, ora firmes, ora trôpegos, por todo esse tempo vivido. Estranho seria não ter a sua mão segurando a minha nos momentos mais difíceis ou patéticos da minha vida. Doeriam mais as minhas dores sem o seu abraço a me amparar. De quem você riria até perder o fôlego por uma simples bobagem cometida? O ombro de quem eu inundaria de lágrimas por aquele amor emburrecedor de outrora? E viceverseamos os sentires. E caso você fosse pra longe de mim, eu pensei em aprender a não te maldizer por isso, a compreender os motivos que o fizeram caminhar mais rápido que os meus passos. Eu pensei até em ensaiar aceitação do fato de que talvez as coisas da sua vida se tornaram tão ligeiras e urgentes da sua presença, que o tempo pra cessar uns passos e me esperar, já havia passado. Mas depois sussurrei baixinho, pros meus próprios ouvidos, o meu interesseiro desejo: Tomara que você queira ficar pra sempre sem lonjura de mim... 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

BOA NOITE

imagem de

São dez e quarenta e seis da noite. O ASA acabou de levar um gol do fRamengo. O Miguel estava agorinha dormindo no meu peito, que assim desinteressantemente eu considero o colo mais fofo que ele provará na vida e o Obama provavelmente está praticando espionagem telefônica e internética.

Sobre esse último assunto, aliás, penso cá com meus botões debochados que o governo brasileiro gostou país estar entre os espionados pelo Big Brother United States. Pintou até uma vaidadezinha e a falsa sensação de importância. Devem ter pensado os mandatários da nação: “se nos estavam espionando, é porque somos perigosos que só”... Só que não!

Obama deve espionar e rir do quanto o Brasil é perigoso pra ele próprio. É tanta trapalhada e bizarrice, é tanto político tomando pra si o país e fazendo dele a sua laje pra uma churrascada no fim de semana, que Obama não deve se dar ao trabalho de levar a sério as pataquadas, pois sabe que o estrago é feito pelas próprias mãos da terra. Será que ele leu sobre o moço que tentou pagar os serviços de uma moça quenga, com o cartão do Bolsa Família? Deve ter se lascado de rir... Será que ele viu que os nossos representantes na Assembleia Legislativa rechaçaram a proposta de considerar hediondo o crime de corrupção? Obama deve ter agradecido a Alá o fato de não serem seus esses parlamentares, pois com um quinhão tão generoso que doam a si próprios, como sobraria dinheiro para armar a americanização no mundo?

Mas, sério, eu ouvi de fontes seguras que haverá uma célula bomba em cada email ou postagem em rede social, contendo aquelas correntes prometendo 0,5 cents por compartilhamento. Acho digno, Obama.

Se rolar câmera escondida lá da Casa Branca, o Presidente do mundo deve ter visto quando um dia eu acenei e sorri para um taxi que não era meu. Sim, contei isso dia desses por aí. Sim, o senhorzinho me pediu um ponto de referência perto da minha casa e estaria lá em segundos, pois já rodava na minha rua. Respondi-lhe, ao celular, que parasse depois do quebra-molas, e assim foi feito, segundo ele me respondeu numa outra ligação. Na calçada, vendo um carro parado aonde eu havia indicado ao taxista, desandei a acenar para que ele viesse até a minha calçada e o homem sentado à direção me espiava, sério, aparentemente não assimilando os meus sinais. Não me fiz de tímida e continuei acenando, gesticulando, tentando fazê-lo ligar a porcaria do taxi, que por sinal nem placa luminosa de taxi tinha, e rodar um pouco até a minha porta. O homem apenas me olhava, aumentando o arregalar dos olhos, quando uma mulher que comprava pamonha abriu a porta do carro e sem cerimônia, entrou. Passou por mim aquele carro prata, sim, outra vez prata, com o motorista me olhando e talvez pensando se tratar de uma louca absoluta, quando atrás do seu carro, paradinho da silva, encontrava-se um taxi que até então estava longe das minhas vistas.

É feio rir da falta de noção alheia, já adianto. Só o Obama pode rir.


Vamos dormir? Boa noite Mary Ellen. Boa noite, John Boy. Boa noite, Obama.


domingo, 14 de julho de 2013

O PASSEIO DAS NUVENS

Depois de um chover macio, passava por nós umas nuvens lindas, destoando do acinzentado das outras. Eram claras e fofas, feito enormes capuchos de algodão suspensos entre céus e terras.

Decerto a ciência explicaria o porquê daquelas nuvens debandadas, mas eu rechaço a explicação cheia de lógica da ciência, desmantelando a minha interpretação de que aquilo bem poderia ser o céu vestindo de branco a esperança.

O pequeno rebanho de nuvens rebeldes seria sim, segundo a minha romântica constatação, a esperança vestida com roupa de fé. Por que os momentos recém-acontecidos haviam exagerado no quesito emoção. E tem dias da emoção não gostar de ser boa. Tem dias dela insistir em desfilar a sua face de vilania e não há outro jeito senão aguardar, confiante, que o tempo as carregue embora.

O pensamento apresentava certa confusão. A face contrastava o olhar ainda marejado e dolorido, com um leve sorriso de encanto ao espiar o passeio das meninas que eram nuvens e lindas. Era possível apartar do tempo os momentos recém-vividos, mas no peito preenchido a angústia e amor fariam morada duradoura.


O carro em movimento, as nuvens passeadeiras, a mente reproduzindo o “me dá um abraço” suplicado pouco atrás. A impotência em não acalentar a súplica agia feito um golpe de esfinge a me perfurar o peito. Por que não eram de papelão aquelas grades a manterem aprisionados sorrisos e sonhos. Por que também não era um filme em que um super-herói surgiria e livraria a todos do perigo e sofrimento.

Super-heróis inexistem. A vida é real e de viés, feito diz a canção e nela os vilões choram feito meninos perdidos e só querem um beijo. E quem há de negar amor a quem tem um olhar implorando desabandono? O desejo era lançar uma mentira bem intencionada com garantia de final feliz.


O sentimento de impotência se guardou no peito, dividindo morada com a angústia e o amor, ganhando efêmera leveza enquanto o riso ainda se rendia de encantos pelas rebeldes nuvens menina, passeadeiras na infinitude dos céus. 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

PALAVRA MOLHADA






Lá fora é madrugada e chove. Desejei, por instantes, desenhar letras da mais evidente realidade. Quis dizer da política e dos ratos. Do beijo na face do povo e a mão lhe roubando a carteira, como num filme que nunca tem fim. Das dores recorrentes de um mundo apodrecido, sem aparentar vontade de refazer sua cara. Enquanto desejava, se metamorfoseava dentro de mim um querer de outro jeito. Um querer coisa sentida e bonita, nem que pra isso precisasse molhar minhas palavras na chuva da madrugada e quem sabe elas então se deitariam aqui, limpas e boas, dizendo coisa parecida com poesia. Elas, as palavras molhadas da chuva, sobreviventes na madrugada fria e dormente, desmantelariam a resignação do mundo em carregar feiura. Cantariam canções sobre como desviver o amor é uma tolice tão grande, que se o sujeito enxergar em si um fragmento de sapiência, corre ligeiro pra empanturrar de amor todo o canto que for. Lá fora, é madrugada e chove...





quinta-feira, 4 de julho de 2013

NEM FOI TEMPO PERDIDO

Melhores amigos são pra sempre? Se não são pra sempre, não eram melhores amigos? Eu não sei as respostas para as minhas próprias perguntas. Eu poderia desenvolver algumas boas e filosóficas palavras para dizer que sim, ou não... Quiçá talvez. Mas não se trata de uma tese sobre a imortalidade da amizade, essas mal traçadas linhas.

Trata-se, basicamente, de enfileirar as memórias e tomar com elas um bom chá de saudade nesse fim de tarde de inverno nordestino... Aqui também se fabrica frio, sim senhor!

Pois ontem foi assim que me senti, numa espécie de chá da saudade com a Neusa, enquanto lembrávamos via Facebook de coisas malucas e lindas vividas quando éramos jovens. Não que agora sejamos velhas, valha-me Deus! Apenas digo que tudo era mais fácil quando a nossa maior inquietação era destrinchar os amores inesquecíveis que nos condenava à solidão eterna de uma semana, até outro amor inesquecível aparecer.

Falamos, eu e ela, da esteira jogada na calçada da rua pequena, uma caixa de som tocando “então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo”, nós todos deitados sob o céu imenso, compartilhando segredos e vinhos, discutindo com veemência sobre o melhor vocalista das bandas de rock nacional até a noite se perder de vista. A madrugada era uma fiel e atenciosa testemunha, não reclamava nem das gargalhadas quebrando a quietude das casas dormentes. Não tínhamos medo, tínhamos sonhos e os amigos mais incríveis para compartilhá-los, alheios ao que nos cobrasse o tempo.

Então, repassando o filme das nossas vidas, enquanto éramos uma coisa só, enquanto nos movia um bem querer grande que só, eu decido responder à pergunta lá do início e o faço com o peito cheio de certeza: Melhores amigos são pra sempre, porque o afeto criado algum dia das nossas vidas, ainda que as circunstâncias, as estradas, as escolhas carreguem cada um pra um lado, o vivido ficou eternizado. E que massa!


Um beijo especial à Neusa, 
nascida em quatro de julho, 
que me faz acreditar que 
os melhores amigos são pra sempre, 
sim senhor! 


"Temos todo o tempo do mundo"

terça-feira, 2 de julho de 2013

CINQUENTA E SETE


Cinquenta e sete canções passeiam pelos meus ouvidos enquanto a noite lá fora acontece sem que eu seja sua testemunha. Gosto de testemunhar os passos da noite e os seus desvarios, mas aqui de dentro, inadvertidamente protegida por essas paredes de concreto, eu quase não a percebo. Cinquenta e sete canções dizendo o amor e a sua multiplicidade, o amor e suas mil formas, porque é certo que o amor jamais será visto ou sentido de um jeito só.

É simples o meu jeito de amar, simples e bonito, a mim foi feita hoje essa afirmação e eu gostei que só, embora ainda não tenha conseguido a real percepção de como seja isso. Talvez, só talvez, seja assim percebido porque eu não precise de muitos motivos para amar. Por que as minúcias me cativam e me bastam. Por que se depois o amor não for bom, verei o que fazer com ele, mas antes, o risco de esmiuçá-lo eu vou adorar correr.

Enquanto as cinquenta e sete canções se revezam na missão de me inundar de sentimentalidade, e a noite, à minha revelia, segue caminhando lá fora, eu me lembro da recente visita da borboleta de asas em preto e amarelo no meu quarto. Havia ali uma situação de amorosidade e encantamento dela, a borboleta bonita, em relação àquela luz artificial enquanto a rodeava feito fosse o seu palco suspenso. Ela talvez jamais alcançasse o porquê, mas seguiria batendo as suas asas de cores imponentes, tentando dar algum sentido à noite de chuva fina e frio farto acontecendo lá fora.

Amando é mais fácil caminhar. Amando o imperfeito e o bonito. Amando simples ou complexamente, feito a borboleta apaixonada pela luz artificial, minha visita de outrora. Ame-se e cante-se cinquenta e sete mil vezes sete.





segunda-feira, 1 de julho de 2013

PRETEXTO PARA POSTAR FOTO DO MIGUEL

MIGUEL, CHEIO DE CHARME


Tanta coisa importante acontecendo e eu aqui na praça virtual, dando milho aos pombos. Você duvida? Pois, bora lá conferir:

Brasil ganhando a estupenda copa das confederações e tia Dilma ficando feliz da vida porque a esquecerão por longa temporada. Escreverei pra ela oferecendo meu total apoio e esquecimento da crise, em troca de singela passagem para temporada surfística do Taiti. Solidarizei com os moços amadores.

Chegará, não sei quando porque não prestei a menor atenção, o baby inglês herdeiro do trono depois que morrer um bocado de gente da sua família. Gastou–se na TV uma eternidade falando dessa desimportância e eu querendo apenas saber do Quico. Só acho que ele atinge a maioridade e Elizabeth, a sorridente, ainda será rainha. Ela é um pouco imorrível, parece.

Confirmadas as atrações para o evento da juventude católica, Rio de Janeiro, com a presença do Papa Francisco, Chicão para os mais chegados, qual não foi a surpresa quando se viu o nome de ninguém mais, ninguém menos do que o intrépido e chatinho Luan Santana. Imaginei o moço soltando um “amar não é pecado e se eu tiver errado, que se dane o mundo”... O que fará Francisco? Oremos. Rezemos. Batuquemos.

Questionada sobre quantas postagens eu havia feito aqui, imediatamente fui buscar a resposta nas estatísticas do blog, visto meu total desconhecimento. E qual não foi minha surpresa quando vi o estupendo número de 107.710 visualizações. Agora não sei quando conseguirei dormir, incomodada pelo meu ego inflado, pessoas. Receberei um real por cada visualização? Ficarei rica e partirei em férias intergalácticas?

O presidente do Senado, meu ilustre conterrâneo Renan Calheiros, está firme na missão da realização do plebiscito acerca da reforma política. Acho que só teria valia essa reforma se o dito parlamentar reformasse a si próprio, desocupando a vaga, sutilmente reconhecendo que os cargos públicos não são propriedade de ninguém.  A transitoriedade se faz necessária e é de justiça. Digamos isso a ele e ao povo, firme na ideia de repetir os mesmos manipuladores, vampiros, a lhe sugarem sangue e senso.

Ao meio dia, ali, naquela mesa de mármore frio, eu sentei e chorei. Praticamente Paulo Coelho às margens do Rio Piedra, chato que só? Eu lia uma poesia tocante? Eu ouvia aquela canção de desamor? Não. Eu cortava cebolas... E chorava, chorava... Mas o arrozinho com atum ficou bom, ficou sim.

Foi-se junho e seu bocado de feriado. Chega julho trazendo o frio pela mão e dia extra pra vadiagem, que é bom, nenhum! Farei o que com a minha total disposição para prestigiar feriados?


O Miguel, o carinha da foto, está lindo e manhoso. Amado que só! Pulando de braço em braço, dormindo o soninho dos inocentes, acumulando energia para devorar a vida quando lhe for exigido. Esse menino, valha-me Deus, chegou vindo não se sabe de quem, mas ele foi a vidinha inteira nosso. Quando o vejo, eu me lembro de quando dizem ser abstrato o amor. Mas, ali mora o amor, e é grande.