quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

PRIMEIRAS FILOSOFICES DO QUATORZÃO

Eu continuo sem saber, Renato, mas continuo...

Estou numa piração de ouvir Legião esses dias primeiros do ano recém chegado. Não, não foi intencional a pobreza rimada, foi, nem sei... A questão é que Legião é mais que uma banda, Renato foi, é, mais que um puta poeta que cantou minha adolescência, me fez chorar e os eteceteras combinativos. Era uma coisa quase espiritual e musicalmente nada, verdadeiramente nada se compara, nem o muso despetalador do meu coração, Djavan.

Ouvi-los, hoje, me leva de volta por ruas da minha vida repletas de amores e esperanças, dores e desassossegos que ficaram pra trás, porque hoje essas facetas da minha sentimentalidade estão diferentes e ganharam outras combinações.  Não que tenham morrido as esperanças, dizem aos quatro cantos que a sujeitinha é a última a #partiu além, ainda bem, né não? Enquanto se vive, se espera, se espera... Mas enquanto se vive também se repensa o feito e a coisa aperta mesmo é sobre o não feito, o deixado pra depois, o considerado trabalhoso e arriscado demais pra dar certo.

Nas ruas lá de trás, quando a minha fome por mastigar um bocado bom do mundo era gigante, havia tanto sonho, rapaz! E incertezas, inquietações, amores maiores que eu, dores que latejariam até a minha morte... E inocência. E desejos os mais variados.

Décadas adiante, eu convivo com as mudanças impostas pela simples condição de estar vivinha da Silva. O tempo passa arrastando tudo, sem parada pra espiar a condição sentimental, emocional, espiritual e o escambal, do sujeito. Só depois é possível avaliar o tanto de sonho adormecido, de desejo murcho e esperanças vestidas num verde quase nada... desbotadas, tadinhas.

Por que a experiência do outro não serve pra ninguém nessa vida? Por que se eu pudesse fazer o povo novo me escutar, eu diria: “Arigó, vai lá e faz! Não deixa de fazer nada que é do teu desejo nessa vida não, porque depois, lá na frente, só vai restar avaliar o avariado e carregar a sensação de dever pessimamente cumprido consigo mesmo.”

Mas não adianta, cada um há de viver o que for da sua escolha e com elas ser feliz, ser um lascado de angústia ou ser uma xícara de café requentado, ralo e morno. Misericórdia!

Esse papo meu está qualquer coisa, eu sei. Eu sei? Sei coisa nenhuma. Continuo sabendo de quase nada, mas já ganhei uma certeza nesses primeiros dias do quatorzão: eu odeio, mas numa intensidade bacana, o cheiro de jasmim. Isso já deve servir pra alguma coisa. Filosofar é o meu forte... só que não.

Um beijo a quem me ama. A quem não me ama, vocês nem sabem a criatura fofa e incrível que eu sou... Heim!?

E, Rodolfo, um beijo, um afago, muito afeto.





13 comentários:

  1. [já não era sem tempo...
    sem dieta mental
    sem culpa e
    sem vergonha !!!]


    beij0

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  2. então somos duas a odiar o tal cheiro de jasmim....sobre o tudo mais, ainda há tempo...mesmo que o tempo não volte...amo-te

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  3. Bom dia Milena.
    Um ótimo final de semana.
    Beijos.

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  4. Bem assim mesmo: "O tempo passa arrastando tudo, sem parada pra espiar a condição sentimental, emocional, espiritual e o escambal, do sujeito. Só depois é possível avaliar o tanto de sonho adormecido, de desejo murcho e esperanças vestidas num verde quase nada... desbotadas, tadinhas." Então bora lá despertar e fazer acontecer...como der, como puder. Aqui, manda notícias do Bruxo inbox preu, please?! Leonel tb passou por uma angioplastia...to no aguardo de notícias!
    Beijuuss minha Mi e ah gostei imenso desse mosaico fotográfico que sua inquietude nos presenteou!

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  5. Que falta faz Legião Urbana, além, claro, de Renato Russo! E o papo não tá qualquer coisa não, eu adorei como sempre. Um beijo e bom fim de semana!

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  6. Olá Milene,

    Tive que me deter neste mosaico fotográfico antes de ler suas primeiras filosofises do ano.
    Tudo bem com você? Foi bem de festas?
    Retornei esta semana, mas a ritmo de tartaruga. É só chegar diante da tela do computador que o estômago embrulha e a cabeça gira. Pode????
    Não gaste sua energia com filosofices. Elas nos obrigam a ficar procurando respostas para muitas perguntas irrespondíveis. Como você disse, "o tempo passa arrastando tudo". Acabamos nos transformando automaticamente e quando percebemos, já pensamos diferente e nossos valores já mudaram. 'Simbora' viver nossos momentos com leveza, mas com muita intensidade.

    Ótimo final de semana.

    Beijosssssssssss.

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  7. Pois eu afirmo, e não costumo afirmar isso levianamente. eu a amo por sua doçura, sensibilidade e capacidade de se autoanalisar, autoquestionar e ainda transformar isso em poesia.
    "Mas não adianta, cada um há de viver o que for da sua escolha e com elas ser feliz, ser um lascado de angústia ou ser uma xícara de café requentado, ralo e morno. "
    Que hajam mais pessoas felizes, menos lascados e menas xícaras de café insosso. Que Legião embale as conquistas e ímpetos de coragem que transformam a escrita da história de quem se dispõe a buscar, e acredita, menina inquieta... nunca é tarde.
    Um abraço!

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  8. Eba! Ganhei um um beijo da Mi!!!

    Um pacotão cheio de beijos pra pra tu!!! *-*

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  9. Iniciaste o quatorzão muito bem e com o humor em aLTA BEIJOS PRAIANOS,TUUUUUUUUUDO DE BOM,CHICA

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  10. Olá Mi...
    mais um belo texto...
    amei querida...
    beijinhos...
    tem homenagem no blog...
    beijos

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  11. Está linda sua página, cheia de fofuras. Não se vive, de fato, aproveitando a experiência de terceiros. Todos tem que bater a cabeça na parede para aprender (rss). Já o fiz inúmeras vezes. Músicas marcam momentos e sonhos e nos pegamos, vez ou outra, a ouvir algumas com maior frequência. São as que, inexplicavelmente, nos tocam com intensidade. Pode filosofar à vontade, pois o resultado compartilhado aqui é muito agradável. Grande beijo!

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  12. Milene,
    tá tudo ai na sua prosa...
    pior que viver sem saber é não viver ou desistir de querer
    beijo

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