segunda-feira, 7 de abril de 2014

SEM QUE ME OCORRA UM TÍTULO DECENTE...


Passei lá no blog do Leonel e a postagem dele me aguçou a vontade de cronicar o cotidiano. Vim aqui agora mesmo dizer umas verdades na cara do sistema, ora pois!

Mas, talvez, pra minha postagem fazer mais sentido eu teria que afirmar que não vou ver nenhum jogo da copa da cbf, fifa, blatter, dilma... Perdoem a ausência das maiúsculas iniciais, elas estão por aí, num protesto adiantado, querendo não ter encontro algum com esse povo todo.

Pois, então. Eu provavelmente irei assistir os jogos das grandes seleções, porque gosto dessa coisa chamada bom futebol. Eu certamente não darei um grito sequer de emoção em prol do time do Felipão e isso nem é protesto, é falta de vontade mesmo. Além disso, haverá desgraça maior pro Brasil político do que a seleção deles não sair com a taça na mão? Amém, anjos.

Li agorinha no MSN uma matéria dizendo que o Pelé, aquele que não quer de jeito nenhum perder o status de atleta de todos os séculos (porque o dele já foi faz é tempo) dizendo achar "normal" a morte do operário lá no estádio que o governo deu pro Curintxa. Disse assim o rei de alguém: "Isso (acidente na Arena Corinthians) é normal, são coisas da vida. Foi um acidente, coisa normal, nada que assuste. Mas a maneira como está sendo administrado o aeroporto e o turista no Brasil é o que mais está me preocupando"... Leia mais AQUI

Não me surpreende ler uma escrotice tamanha, vindo de um sujeito egocêntrico e arrogante feito o Pelédson. E não apenas pra eles. Pra eles, os ratos todos, pouco importa se as pessoas saem de casa pra não serem atendidas em hospitais; e daí se as escolas estão caindo aos pedaços enquanto as verbas se perdem pelos caminhos mais óbvios possíveis? Isso tudo é bobagem, coisas do cotidiano. Operários morrem porque são desatentos, devem ser o que pensam os caras organizadores desse circo inútil todo. 

Sábado, quando enfim compareci à primeira aula da Faculdade, penei um pouco. A primeira coisa que pensei quando cheguei por lá, foi: "essa droga de lugar não foi feito pra mim". Claro que meu pensamento foi equivocado, porque os lugares, todos eles, deveriam ser pra toda a gente. Essa maldita palavra chamada ACESSIBILIDADE era pra nem existir, porque todos os lugares seriam naturalmente acessíveis. Então, quando constato a obviedade do não ser assim, me acomete uma preguiça do tamanho do universo, de levantar bandeira pra exigir o que deveria me pertencer por direito. 

Logo na chegada, até onde o carro alheio consegue chegar, está um negócio parecido com um meio fio torto e esquisito, que eu tenho pensado ser algum obstáculo para alunos com necessidades especiais participando de alguma paraolimpíada universitária, da qual nem supõem existir. Depois, um pátio de areia até chegar na calçada. Confortável pra caminhar de muletas, só que não. Então, já no receptivo piso firme, andei, andei, andei, feito na música do Chitão e Xororó, pra chegar na sala que é lá do outro lado. Eles devem ter pensado: "bora botar a gordinha pra andar, que ela anda precisada". Sou grata pela preocupação, mas eu bem queria a minha parte em caminhada curta. Na sala, qual não foi a minha frustração quando vi os tipos de cadeiras por lá. Céus! O resultado foi uma quase queda no fim da aula, porque o negócio quis sair agarrado comigo e quase fomos, eu e a cadeira, ao chão. Fui prontamente socorrida pelas meninas que eu jamais havia visto e de tão gentis, gostei que só. Essa parte do contato humano é, pra mim, coisa de se não se substituir por nada, mesmo que tais contatos não sejam frequentes, mas quando são de qualidade valem muito. Tenho cá a impressão que já estou arranjando motivo de amizade.

Afora esses perrengues desconcertantes, a aula foi massa. Gostei do professor dizendo que não tem Facebook porque acha uma palhaçada a pessoa precisar postar a foto do macarrão e eu caladinha, pensando no tanto de vezes que fiz isso... e farei. E na parte que valia, sobre os diversos tipos de textos, eu me aperriei um pouco quando da sua ênfase sobre os tipos de textos que iremos fazer, feito cientistas que seremos. 

"Textos científicos não são feitos com a opinião de vocês, eles tem que ser construídos em cima do que pensam determinados autores, pesquisadores" e tals... Falou o professor simpático. Mas, como assim? E os meus textos livres, cheios de invencionices e afins? Como eu vou fazer pra convencer tal autor a pensar direitinho feito eu, pra no trabalho eu dizer só assim: "Esse cara, coincidentemente, pensa igualzinho a mim. Diante disso, dizer mais o quê"? Só acho...

Meu irmão Jean, quando de tarde foi me buscar, ouvindo os meus relatos de inacessibilidade, e vendo o meio fio feito especialmente para atletas paraolímpicos universitários de uma competição invisível, esbravejou contra a copa da dilma, que acaba sendo o reflexo de toda essa inoperância do governo que começou bem antes da idealização do evento maldito. 

A copa vem aí. As eleições também. Enquanto isso, no próximo sábado estarei na Universidade Federal de Alagoas, para transpor outra vez o obstáculo estranho, caminhar no pátio inacabado, até que o inverno não chegue. Quem sabe até lá uma verbinha marota apareça e os moços responsáveis consigam finalizar aquilo, né? Oremos. Vou providenciar um cartaz, inspirado na indignação com o resultado da pesquisa do Ipea, que num dia disse uma coisa, no outro mudou o dito, mas continuou com um resultado feio demais. O meu cartaz-plágio diria assim: EU NÃO MEREÇO ESSA INACESSIBILIDADE TODA. Que tal?
Letras demais, já. Parei, então. Beijo.






10 comentários:

  1. Apesar da inacessibilidade, que não deveria existir mesmo, que bacana vê-la na aula. É pq não tenho nada contra aulas via internet, mas o que vc pode perceber, contato com as coleguinhas, professor ao vivo e a cores, amizades possivelmente construídas, buteco depois das aulas e coisas mais, são lembranças que a gente carrega, saudosa que só, por toda a vida pós formatura. Então Mi não desanime diante dessa quantidade de obstáculos e mete bronca. Boas aulas presenciais. Quanto ao resto da postagem ando com muiiiita preguiça de tudo...de saco cheio de todas as obras que estão sendo feitas por aqui em nome da copa e do pouco se importam caos geral para a população...enfim quero falar disso não.
    Beijuuss

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  2. Primeiro, parabéns por mais esta superação! Só chegar neste começo já é um destaque nesta imensa massa dos que tentam, mesmo que seja só para descobrir que as dificuldades sobem de nível com a mesma velocidade que nós.
    Como eu já confessei no meu texto, eu também gosto de futebol e não deixarei de assistir, mesmo discordando dessa "festa na UTI"!
    Talvez, a exemplo do jornalista L. C. Prates, use uma camiseta azul-celeste e torça pelo Uruguai do Loco Abreu.
    Beijão, Milene, e que continues superando os meio-fios e desníveis desta vida!

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  3. Me orgulho cada dia mais de você. Pela força, determinação e superação. Estou contigo, levantando o seu cartaz!

    Gisele.

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  4. Milene, como diria Romário, Pelé calado é um poeta. E que bom que vc gostou da aula. E melhor ainda, que bom que já fez amizades. Olha, na minha turma de faculdade tinha um rapaz que andava de muletas por causa de um problema na perna e ele sofria. Muitos períodos nos colocavam no terceiro andar e dane-se ele. Só ficávamos no térreo quando insistíamos mt. E a acessibilidade não existe, essa é a verdade. É mta balela. bjsssss

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  5. Verdades sejam ditas sempre, Milene. Pronunciar a verdade, é um dos maiores protestos a que temos direito.
    Quanto ao Pelé, em sua condição... de que mesmo?? Acredito que poderia fazer algo melhor em prol a sua Pátria.

    Abraço.

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  6. Olá, Milena!Tudo bem?Cheguei até este gracioso blog, através do blog do IVES DE VIETRO!
    Gostei do que vi.Vc escreve como muitíssima leveza.
    É isso aí, blogar significa falar o que desejamos, e assim, mostrarmos ao mundo tantas coisas que estão erradas e o quanto poderiam melhorar.Beijos lindinha e boa sorte em sua caminhada.

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  7. O Pelé e tantos outros são portadores de necessidades especiais - vivem tropeçando nas próprias idéias ou nas dos outros. Enquanto isso, você transpõe lépida e fagueira os obstáculos que derrubaram muita gente boa!
    Beijo.

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  8. Milene,
    Por incrível que pareça, o mundo está cheio de pelés. Infelizmente, isso não abona muito a favor do mundo, cada vez mais construído em ficções.
    Excelente prosa, como sempre!

    Beijo :)

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  9. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
    é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido
    também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
    Sou António Batalha.

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  10. Milene! Adorei a forma como descreve as situações e demonstra sua opinião! Grata pelo desabafo ;)

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