domingo, 21 de dezembro de 2014

DA COTIDIANA CONFRATERNIZAÇÃO

Imagem: NESSE CANTO

Há séculos de minutos tentando desenhar um texto bonito de Natal, mas a coisa não flui. Sacanear o velho barbudo, a quem chamam de Papai Noel, cuja função principal é induzir os papais reais a se lascarem em dívidas de presentes, não vou mais.

Decerto eu não esqueço que na minha infância ele só ia na casa da menina rica, filha da mulher para quem minha mãe lavava roupas e eu lamentava não ter uma janela pra deixar, também, as minhas meias. Mas quando descobri que o velhote era um engodo, fez-me rir de contentamento e desdém. Deixemos pra lá o sujeito inexistente da oração natalina.

Eu por mim gosto de confraternizar, sem ser preciso data específica pra essa situação. Essa semana, sem muita combinação, fomos almoçar eu e alguns amigos da escola, que não são os amigos da escola ditos pelo Tony Ramos na TV, o leitor me compreende? São colegas de trabalho...  E meus amigos. É muito bom quando nos juntamos pra formação imediata do riso e descontração. A confraternização oficial, do fim do ano, amigos doces e abraços, essa também está marcada para daqui uns dias e será, certamente, outro encontro bacana. E desses outros, os casuais, haverão aos montes, eu sei.

Ontem, lá na calçada na casa da mãe, enquanto o vento frio assustava qualquer vivente, combinávamos coisinhas sobre nossa noite de Natal. Arthur correndo atrás do Miguel, que é um pequeno raio, quando se vê já não se vê mais. Isabella e Marina se preparando para uma noite do pijama, comemorando o aniversário da amiguinha Maria Luísa. Lorenna chorando e de vez em quando ameaçando um riso econômico, a cabritinha metida, e a conversa dos adultos fluindo na tentativa de um consenso. Mas nem há muito o que combinar, o nosso forte é o encontro.

Em meio à conversa, a Clara vem dizer que a vó está chamando pra comer, que o cuscuz está pronto. O cuscuz de quase todos os sábados, instintivo, descombinado, bom que só. É assim que confraternizamos todas as semanas sem carecer de requinte ou muita polidez. Estamos nós na calçada desde o fim da tarde, quando a noite vai crescendo e esfriando. Os meninos correndo e nós gritando cuidados com os carros, que ao contrário de outros tempos, hoje passam numa velocidade da gota! Os meninos já citados, além do Davi e Luiz que ontem não estavam, e mais um bocado de meninos da rua, correm por um bocado de brincadeira que, amém, ainda existem. Clara, Vitória, Giovanna e Thulio se dividem entre participar um pouco da conversa e interagir na sua miúda nave espacial também conhecida como celular. Vez ou outra a Jaci também vem pro nosso abraço, porque é da nossa vontade cuidar tanto dela, mas tanto que não dá pra mensurar. E também passam eventualmente o Jenynho e o Jefferson, que sempre sabe onde estamos e que sempre podem vir. Até os meninos do Girau, Dudu e Gabi, que se chegarem, estarão bem chegados. O Felipe também, mas a Sofia, que é dele, costuma vir mais do que ele, de carona na bicicleta do vô Bia. A Ellen, tão longe, tão perto. E o Renato. Ah, o Renato...

Então nos juntamos à mesa, uns de pé porque a gente é muita e o móvel pequeno. Se isso não é confraternizar eu não sei nomear mais nada nessa vida. Por isso que o ajuntamento para o Natal é massa, é necessário, mas se por desventura não pudesse ser, não seria um desacontecimento, porque confraternização no sentido mais genuíno da palavra, é o que institivamente fazemos pelo mero prazer de estarmos juntos.

Confraternizemos, pois, a cada fragmento de tempo que nos for possível, amém.


14 comentários:

  1. Milene,
    Lê-la é uma delícia, a sua prosa é autêntica confraternização.
    Um Feliz Natal, para si e para os seus (coisa boa, essa criançada toda que por aí circula)!

    Um beijo :)

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  2. Requinte é essa tua forma de tocar o coração das gentes ao expressar o que tantos de nós sente, e muitas vezes "não sai"... confraternizar é isso sim, Mi, e que seja assim para o sempre que existir!!
    As crianças enfeitam muito nosso sentir, não é mesmo?
    Uma lindeza de amor esparramado aqui, me servi de um bom bocado...

    Um abraço forte, quente e cheio de afeto!!!
    Feliz Natal pra ti e toda essa gente feliz!!!

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  3. Muito bom, o filme passou rapidinho mas foi massa viu?
    Belo texto dum coração sem tamanho, imensssssooooooooo!!
    Beijinho Milene

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  4. Muito bom minha amiga! Isso aí é confraternização. Eu também escrevi um texto lá no blog metendo o pau no Noel.
    Hahahahaha, acho que estamos ficando velhos e rebugentos. Hahahahaha.

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  5. Ah é isso mesmo...pra mim chamo de ajuntamento de gente e bemquerência...Cada um falando mais alto que o outro em meio a risadas e a meninada se achando gente grande. Meu sobrinho neto de 12 anos, que chegou de Brasília para os festejos de final de ano, me responde depois que digo como ele cresceu: tia isso é excesso de testosterona! Pode com isso Mi?! Pois é amaaada. ..que o encontro de vocês seja abençoado com Luz, esse Amor lindo e muiiita alegria! Beijuuss

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  6. Confraternizar é um verbo de ação coletiva. Como seria bom que pudéssemos usar este verbo em outros momentos. Adorei o texto!...
    Sua presença é muito importante no meu blog...
    Na fraternidade, poderemos caminhar muito melhor...
    Sem os leitores, comentaristas e visualizadores, nada seremos...
    Um Natal de muita saúde, paz e amor!...
    BeijooOs




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  7. Oi Milene,

    Confraternização genuína, onde a conversa flui naturalmente na roda de amigos. Pena que muitas pessoas só confraternizam em épocas de Natal.

    Feliz Natal!

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  8. kkkk Esse seu primeiro parágrafo me matou de rir, nunca li uma verdade mais hilária sobre Papai Noel, vou anotá-la na lista de motivos para repúdio no meu caderninho entitulado "Porque acho o bom velhinho bem ruinzinho".

    Confesso que nem só de sentimentos nobres vive o homem no Natal, pois, acabo de sentir um não tão nobre: Inveja de você nessa reunião informal na calçada ao findar a tarde, cercada da alegria de crianças a jogar conversa fora, tenho saudades de momentos assim.

    Um Natal cheio de alegria e saúde para você e os seus.

    Beijos

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  9. Milene, que lindo... "Sacanear o velho barbudo, a quem chamam de Papai Noel, cuja função principal é induzir os papais reais a se lascarem em dívidas de presentes, não vou mais." kkkkk, ri muito!!! Como deve ter lido em algum ano anterior, eu ainda acredito na magia do bom velhinho, mas daquele que tem uma fábrica de brinquedos onde nenhuma criança é excluída... utopia, eu sei.
    Na realidade penso que o Natal serve bem ao propósito do seu texto, que é confraternizar... reunir as pessoas e a família, fazer rodízio na mesa ou comer no sofá, em pé... ver as crianças felizes mergulhadas em seu mundo de ingenuidade... O Natal é a época de nos resgatarmos como seres humanos. Desejo festas felizes por aí, amor, paz alegria... como você mesma diria, desejo que seu 2015 seja massa. Abraços, tudo de bom!

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  10. Amém!
    Crônica boa de lê. Adoro essa sua pegada na escrita.

    Em meio à conversa, a Clara vem dizer que a vó está chamando pra comer, que o cuscuz está pronto. O cuscuz de quase todos os sábados, instintivo, descombinado, bom que só. É assim que confraternizamos todas as semanas sem carecer de requinte ou muita polidez.

    Um beijão

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  11. olá Milene, passando pra desejar o restinho de Natal com paz e alegrias e um ano novo em que teus sonhos se realizem. bjs
    http://caoticossemrumo.blogspot.com.br/

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  12. As festas não precisam de nome específico né! Adoro cuscus, deu água na boca! abraços, feliz ano novo!

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  13. Todas as festas mantidas pela tradição trazem o componente essencial: a confraternização, a desculpa para curtir bons momentos, com os familiares e/ou amigos!
    Um bom 2015 para você!
    Bjs, Milene!

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  14. O Papai Noel é bem sacana mesmo, Milene. rsrs Muito boa essa sua crônica, que pra variar usa perfeitamente o humor mordaz. E espero que vc tenha tido uma ótima confraternização, tanto no Natal quanto no Ano Novo. bjssss

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