segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

À MEIA NOITE


Havia o silêncio e depois a música. Havia ela. Desejava a dança. Era uma dança boa, à meia luz da meia noite, com os pés alternando movimentos suaves e livres, conduzindo o corpo para lá e para cá. A alma, esta chegava a sorrir tamanho era o contentamento. Ela tinha alma de bailarina e o enlevo ao qual era submetida toda vez que conjugava esse verbo, era feito devanear a face mais doce da vida em prazerosos minutos. Dançar lhe avivava os sentires. Lá fora nada existia, tudo calava. Ali, à meia luz da meia noite, dançava, somente, só. Ao menos pelo tempo em que durasse aquele sonho. Ao menos pelo tempo que durasse aquela música, que bem poderia durar toda a eternidade... Ela dançava, só, somente.





domingo, 16 de fevereiro de 2014

QUE JÁ VEM A SEGUNDA FEIRA...

SONHEMOS TINGA, SONHEMOS...


A ideia era ignorar a momentânea (ou não) secura das minhas letras a qual todo pessoa escrevinhadora se vê acometida vez ou outra. Outra ideia era ignorar, também, as feiuras cotidianas, televisionadas e contadas a cada segundo nos corredores virtuais.

Mas como fazê-lo se a pessoa por acaso vê outra notícia de racismo em menos de uma semana? Pois é, a louca australiana não gostou porque seria atendida por uma manicure negra e lançou um “tem que ser você mesmo?” a fim de tentar outro atendimento branquelo. A moça australiana é, decerto, um tanto burra, porque deve ter trombado por aí com a repercussão do caso Tinga  e, ao invés de ter engolido com uma dose de veneno o seu racismo dotado da mais evidente filhadaputice, quis ser a gostosa estrangeira que não acha muita graça na negritude. Deve, ela, lembrar dos aborígenes da sua terra que vivem à margem feito fossem selvagens.  Chamaram a polícia sem antes lhe acarinharem com um mero puxão nos cabelos loiros, céus!

Sobre o caso Tinga, aliás, o que mais pode ser dito? Só me calo e choro...

Agora me deixem findar o domingo com uma boa pitada de contentamento e afago na minha alma que ama amar. Uma visita inesperada, do amigo que só veio me abraçar e tomar de mim o meu melhor abraço. E se foi ligeiro, deixando um rastro de riso e meninice, que é bom que só. Um amigo, outro, era ele na moto que parou ao meu lado, na rua. Foram-se anos sem que houvesse sequer um encontro casual e bom. E me disse coisa tão bonita, o menino. Lacrimejaram os nossos olhos outrora desencontrados. Outro encontro prometido, pra se dizer poesia, pra se cantar um tanto, pra se saber de tudo das vidas que se houveram distantes. E foi-se o outro amigo choroso, sensível, bonito...

Eu também não vou falar do Miguel, do quanto ele é cara legal, bonito, e tal. Isso já está ficando sem graça. Que o riso dele é meu bálsamo, isso é lá novidade que se apresente?

Pra terminar, eu quero mandar um beijo pro meu pai lá no céu, pra você, Xuxa, e pra minha mãe que está há uma semana abduzida na roça cibernética da Cida e deixando por aqui um bocado de gente cheio de saudade. É um tal de “isso aqui fica muito sem graça sem a Dona Lourdes” e eu não tenho outro caminho a não ser o da concordância opinativa. Minha mãe é espaçosa no coração alheio e isso me dá tanto orgulho da minha preferencial arigó, gente! Louca pra que ela chegue logo e pergunte: “e você, está bem, filha?”... Eu preparo a minha melhor cara de Milene e digo: “é, né”... E pouso, dengosamente, a cabeça sobre o colo dela.

Mãe... Vem logo?

Poxa, já estava indo embora pra falar de outro encontro amorosíssimo que tive agora no fim de noite dominical: os mosquitos estão possuindo a minha doce fofurice sem dó nem piedade de tão sensível cútis.

Mosquitos não me mordam!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EUTEAMANDO...



De repente gritou-me uma vontade desatinada de ter por que falar EU TE AMO. Mas não um daqueles euteamos de superfícies, falados da palavra pra fora e sem uma mísera gota de sangue circulando por suas ruas. Havia de ser um euteamo bem dito, bendito... bonito. Por que, euteamos pálidos, do que servem? Euteamos sem dores, sequer existem. Um euteamo que se preze tem de ser como uma espécie de super herói dos sentires, sobrepujando mares furiosos, ventanias e temporais, valente que só, a fim de chegar no seu destino como coisa pra causar emoção e contentamento. Um euteamo legítimo se inquieta, abriga pranto e riso e não vê graça na sua condição de existir, se não há quem por dentro lhe revire os sentidos. É, sobretudo, farto de valentia e poesia, o velho e insubstituível euteamo.