sábado, 26 de abril de 2014



Bebi dois copos de coragem e parti. Chegando lá eu não soube o que fazer, mal me acomodei e já foi me dando uma gastura de estar. Eu estava fora de onde me sentia segura. Eu estava lá onde chorar não me era permitido. Apenas ser forte me era permitido. Precisava conceber a ideia de sacrifícios caso decidisse continuar por lá, suportando e só. Então eu me lembrei que não queria mais essa coisa de suportar, se não fosse resultar em algo absolutamente recompensador. Eu me lembrei do meu desapaixonamento por coisas que não me causassem um profundo estado de contentamento. Eu queria espiar pra dentro, sorrir alargado e dizer: isso aqui é prazeroso que só. Mas eu não conseguia pensar em nada além de estar insistindo em sacrifício pra chegar num fim de arco-íris cinza sem pote de ouro no final. Então eu voltei antes de chegar direito lá, onde estar era dolorido e já não me causava vontades satisfatórias. Lá, embora fosse uma morada árida, me fazia capaz e valente sob o pensamento de outrem e agora é certo que olhares e falas desconfiadas conduzam dedos apontados e conceitos mal construídos acerca do meu breve regresso. Eu voltei oscilante, taciturna e com os meus próprios dedos em riste, apontados pra minha face sem brilho no espelho. A euforia da hora da partida efemerizou-se e só o descontentamento ecoa. O fastio de ir comanda as minhas poucas vontades e eu me sinto morna. E feia. Eu me posto na janela enquanto a vida, vivida, passa. Eu me ouço engolindo remorsos. Eu me flagro assassinando sonhos. Que Deus não me vomite, amém!


domingo, 20 de abril de 2014

QUE SE AME...

Meio dia e quase quinze minutos desse domingo, vinte de abril. Há tempos aqui sem uma letra sequer e embora me falte motivação, me sobra uma espécie de remorso como se estivesse abandonando um amigo querido. Não se deve nunca abandonar os amigos querido, ora. Então, resta-me torcer para que ele, meu querido e estimado bloguinho, se aguente porque eu estarei sempre voltando. Estarei sim.

Hoje um tanto emocionada, olhos marejantes  porque acabei de ver uma matéria com dizeres bonitos sobre o Luciano do Valle. Sujeito massa! Eu gostava, desde sempre. Era a voz que eu buscava pra ver jogos de toda espécie, em tempos que odiava quando a TV deixava de passar as novelas pra transmitir jogos chatíssimos. E depois eu não achava mais os jogos chatíssimos.

Quando morre alguém assim, do mundo da fama, tende-se a comentar que fulano só ficou falado e querido porque morreu. “Por que não falavam dele antes?”. Eu acho estranho a pessoa ter que ficar dizendo que gosta desse ou daquele profissional da TV ou música, ou esporte, com medo de que o sujeito venha a partir dessa pra outra que não se sabe se é melhor ou pior. A pessoa gosta e pronto. E é normal que sinta essa despedida sem consentimento. Mas, talvez eu deva inventar umas palavras bonitas pra algumas pessoas previamente listadas, da raça dos famosos, que é pra quando eles desavisadamente morrerem, eu dizer: “eu já gostava deles que só, posso provar!”. Melhor não, né? Deixem-nos viver.

Falemos, pois, de vida. Celebração e amor. Afeto com jeito de domingo. Mas também de sábado e segunda feira que é feriado. Tiradentes foi bacana, empurrou o seu dia pra uma segunda-feira que é pra ninguém ter do que reclamar. Sujeito esperto. Mas, bem, falemos então dessa celebração, da vida pontuada das pessoas que eu amo. Das pessoas que eu presunçosamente sei que me amam bem muito. No dia que se escolheu pra lembrar do índio, das mazelas, do desrespeito, da intolerância contra o povo que de verdade é o dono dessa bagaceira aqui, nasceu a minha preta mais galêga de toda a Alagoas. Falei com ela não, só por palavras digitadas. Mas entre nós, eu e ela, as palavras se tornam desobrigadas. O sentimento é coisa que flui tão naturalmente e isso me encanta. Hoje, num domingo de Páscoa, num vinte de abril cheio de boniteza, o Jean também celebra a sua vida. Serei redundante se contar o quanto eu me sinto forte e bem quando olho pro lado e sei que ele está lá? Discordo dessa coisa de anjos serem de asas e viverem aonde nem se sabe. Jean, meu irmão, é anjo terreno, é sujeito imperfeito e generoso. É daquelas pessoas que a gente sente um afago no peito porque conheceu e fez convivência com ele. Sorte minha. Sorte nossa. Amém! E amanhã, no vinte e um que pertence a Tiradentes esquartejado, minha tia Minim é a que rouba a festa. Melhor ter cuidado ao chegar aqui e proferir equivocadamente esse apelido dela, que se chama Emília, mas desde sempre ganhou esse mimo do qual não se agrada muito. A nossa arenga é constante, é sim. Parecemos mais duas irmãs, embora seja ela bem mais velha, do que tia e sobrinha. E como tal, da arenga pra o dengo desmedido é um passo curtíssimo.

Três datas. Três amores aconchegados no meu peito que não é de mãe, mas cabe um bocado de bem querer. Três vezes eu sou feliz porque de tantas vidas espalhadas por essa imensidão de mundo, foi na minha que eles pousaram feito pássaros que chegam pela manhã pra cantar o dia.


Obrigada.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

SEM QUE ME OCORRA UM TÍTULO DECENTE...


Passei lá no blog do Leonel e a postagem dele me aguçou a vontade de cronicar o cotidiano. Vim aqui agora mesmo dizer umas verdades na cara do sistema, ora pois!

Mas, talvez, pra minha postagem fazer mais sentido eu teria que afirmar que não vou ver nenhum jogo da copa da cbf, fifa, blatter, dilma... Perdoem a ausência das maiúsculas iniciais, elas estão por aí, num protesto adiantado, querendo não ter encontro algum com esse povo todo.

Pois, então. Eu provavelmente irei assistir os jogos das grandes seleções, porque gosto dessa coisa chamada bom futebol. Eu certamente não darei um grito sequer de emoção em prol do time do Felipão e isso nem é protesto, é falta de vontade mesmo. Além disso, haverá desgraça maior pro Brasil político do que a seleção deles não sair com a taça na mão? Amém, anjos.

Li agorinha no MSN uma matéria dizendo que o Pelé, aquele que não quer de jeito nenhum perder o status de atleta de todos os séculos (porque o dele já foi faz é tempo) dizendo achar "normal" a morte do operário lá no estádio que o governo deu pro Curintxa. Disse assim o rei de alguém: "Isso (acidente na Arena Corinthians) é normal, são coisas da vida. Foi um acidente, coisa normal, nada que assuste. Mas a maneira como está sendo administrado o aeroporto e o turista no Brasil é o que mais está me preocupando"... Leia mais AQUI

Não me surpreende ler uma escrotice tamanha, vindo de um sujeito egocêntrico e arrogante feito o Pelédson. E não apenas pra eles. Pra eles, os ratos todos, pouco importa se as pessoas saem de casa pra não serem atendidas em hospitais; e daí se as escolas estão caindo aos pedaços enquanto as verbas se perdem pelos caminhos mais óbvios possíveis? Isso tudo é bobagem, coisas do cotidiano. Operários morrem porque são desatentos, devem ser o que pensam os caras organizadores desse circo inútil todo. 

Sábado, quando enfim compareci à primeira aula da Faculdade, penei um pouco. A primeira coisa que pensei quando cheguei por lá, foi: "essa droga de lugar não foi feito pra mim". Claro que meu pensamento foi equivocado, porque os lugares, todos eles, deveriam ser pra toda a gente. Essa maldita palavra chamada ACESSIBILIDADE era pra nem existir, porque todos os lugares seriam naturalmente acessíveis. Então, quando constato a obviedade do não ser assim, me acomete uma preguiça do tamanho do universo, de levantar bandeira pra exigir o que deveria me pertencer por direito. 

Logo na chegada, até onde o carro alheio consegue chegar, está um negócio parecido com um meio fio torto e esquisito, que eu tenho pensado ser algum obstáculo para alunos com necessidades especiais participando de alguma paraolimpíada universitária, da qual nem supõem existir. Depois, um pátio de areia até chegar na calçada. Confortável pra caminhar de muletas, só que não. Então, já no receptivo piso firme, andei, andei, andei, feito na música do Chitão e Xororó, pra chegar na sala que é lá do outro lado. Eles devem ter pensado: "bora botar a gordinha pra andar, que ela anda precisada". Sou grata pela preocupação, mas eu bem queria a minha parte em caminhada curta. Na sala, qual não foi a minha frustração quando vi os tipos de cadeiras por lá. Céus! O resultado foi uma quase queda no fim da aula, porque o negócio quis sair agarrado comigo e quase fomos, eu e a cadeira, ao chão. Fui prontamente socorrida pelas meninas que eu jamais havia visto e de tão gentis, gostei que só. Essa parte do contato humano é, pra mim, coisa de se não se substituir por nada, mesmo que tais contatos não sejam frequentes, mas quando são de qualidade valem muito. Tenho cá a impressão que já estou arranjando motivo de amizade.

Afora esses perrengues desconcertantes, a aula foi massa. Gostei do professor dizendo que não tem Facebook porque acha uma palhaçada a pessoa precisar postar a foto do macarrão e eu caladinha, pensando no tanto de vezes que fiz isso... e farei. E na parte que valia, sobre os diversos tipos de textos, eu me aperriei um pouco quando da sua ênfase sobre os tipos de textos que iremos fazer, feito cientistas que seremos. 

"Textos científicos não são feitos com a opinião de vocês, eles tem que ser construídos em cima do que pensam determinados autores, pesquisadores" e tals... Falou o professor simpático. Mas, como assim? E os meus textos livres, cheios de invencionices e afins? Como eu vou fazer pra convencer tal autor a pensar direitinho feito eu, pra no trabalho eu dizer só assim: "Esse cara, coincidentemente, pensa igualzinho a mim. Diante disso, dizer mais o quê"? Só acho...

Meu irmão Jean, quando de tarde foi me buscar, ouvindo os meus relatos de inacessibilidade, e vendo o meio fio feito especialmente para atletas paraolímpicos universitários de uma competição invisível, esbravejou contra a copa da dilma, que acaba sendo o reflexo de toda essa inoperância do governo que começou bem antes da idealização do evento maldito. 

A copa vem aí. As eleições também. Enquanto isso, no próximo sábado estarei na Universidade Federal de Alagoas, para transpor outra vez o obstáculo estranho, caminhar no pátio inacabado, até que o inverno não chegue. Quem sabe até lá uma verbinha marota apareça e os moços responsáveis consigam finalizar aquilo, né? Oremos. Vou providenciar um cartaz, inspirado na indignação com o resultado da pesquisa do Ipea, que num dia disse uma coisa, no outro mudou o dito, mas continuou com um resultado feio demais. O meu cartaz-plágio diria assim: EU NÃO MEREÇO ESSA INACESSIBILIDADE TODA. Que tal?
Letras demais, já. Parei, então. Beijo.






quinta-feira, 3 de abril de 2014

O ACONTECIDO



Hoje eu pari um verso, chorei vendo novela, quase chorei de derrota botafoguista. Esmiucei o sistema, manguei do João Gilberto, lamentei o estremecido lá pro lado do Chile. Sorri no olhar o talvez amor alheio; cantei, voz e coração a música do amigo; senti saudade da amorosidade que estava aqui e era minha. Hoje eu sofri de afetos; eu morri de sono; eu inventei remorso. Tive dó do bêbado, que parecia perdido e na igreja, fedido, não foi bem-vindo não. Eu fui suave porque pra onde ia, carregava o sorriso do Miguel. Eu fiz greve de novo. Eu cometi gordices. Eu respondi bastante. Eu perguntei um pouco. Eu judiei dos meus pensamentos. Hoje já não é mais, senão, o acontecido. 


O POEMA PARIDO


TAMBÉM ACONTECEU ESSA CANÇÃO. CLIQUEM NO LINK E OUÇAM A VOZ MACIA E CHEIA DE POESIA DO MENINO, MEU AMIGO, ITALLO FRANÇA, QUE ME DÁ ORGULHO QUE SÓ! 

SER VIZINHA DO CANTOR É BOM PORQUE, CAMINHANDO UNS PASSOS, GANHO UM AUTÓGRAFO E UM ABRAÇO.

https://soundcloud.com/alfabetonumerico/carinho-que-mora-logo-ali