sábado, 31 de maio de 2014

JÁ FAZ UM ANO

Oi.

Eu sou o Miguel. Mas acho que todo mundo já sabe, né? Todo dia as minhas tias colocam foto de mim aqui... Elas são doidinhas.

É que hoje eu completo um aninho de vida e de muita felicidade. Quando eu era mais pequenininho ainda, eu morava lá no hospital. As moças eram legais comigo, mas elas não podiam me pegar no colo toda hora. Então a minha mãe e o meu pai foram me buscar porque eles queriam que eu fosse deles. Eu gostei de ter sido escolhido por eles...

Na verdade, vou contar um segredo: eu que conversei com papai do céu e disse que queria ir morar lá, e ser do meu pai Fabinho e da minha mãe Cristiane, porque eles estavam precisando de mim pra ficarem mais felizes. Então papai do céu gostou da ideia e eu vim.

Mas eu não sabia que tinha tanta gente que ia ficar indo lá em casa todo dia pra me colocar no colo. Sabe, as minhas primas ficam brigando pra ver quem vai me pegar primeiro, elas são bacanas. A Gi, a Clara, a Vi, a Marina e a Isabella, elas querem ficar mais tempo comigo, é engraçado. Então de vez em quando eu quero brincar e puxo no cabelo delas, é tão divertido! A Isabella fica brava, as outras me dão beijinho. Eu sou o principezinho delas. Até já sei chamar o nome da Gi. A Jaci é que me vê menos, porque ela trabalha e estuda, mas ela fica todo dia perguntando por mim, que sou o “gostoso” dela... né legal? Minha prima Ellen é que fica só na vontade de me apertar, mas ela mora longe. Minha mãe gosta tanto dela, acho que eu também vou gostar.

Tem minhas tias também. A tia Gisele eu gosto porque ela deixa eu comer tudo escondido da minha mãe. E me deixa brincar no chão. A tia Memem me ensinou a pular e eu adoro porque o colo dela é bem fofo, dá pra pular bastante. Eu também puxo o cabelo dela, mas depois dou um sorriso e ela se desmancha toda. Tem o Tio Vone, que gosta de eu ser botafoguinho; o Sé, que não quer que eu brinque no chão pra não me machucar; o Tio Jean me chama de bicho grilo, ele  é legal também, faz durinho comigo que nem o Vô Luiz fazia nos meninos. Minha mãe fica com medo e fecha os olhos. O tio Jackson quer que eu goste do fRamengo, mas eu não quero não. Tia Memem cochichou no meu ouvido que eles tem uma camisa feia. O tio Bia é engraçado que só, ele fala e eu dou risada. Quando ele leva a Sofia pra me ver ela chora quando vai embora, porque quer me levar com ela. Tia Nete também é resenheira, eu gosto de ficar na casa dela. Tia Marlene também me dá muito dengo, ela diz acha bonito porque eu me dou bem com todo mundo. A tia Dayse disse que ia me dar coca-cola na mamadeira, porque a minha mãe dava coca-cola pro Luiz escondido dela. Mas é só de brincadeirinha. As minhas tias e primas lá da casa da vó Salete, elas também gostam de mim. A tia Vagda diz que eu sou metido... O que é ser metido? Mas a tia Vagda é resenheira também, ela deve tá brincando

Eu tenho duas avós: a vó Lourdes e a vó Salete. A vó Lourdes usa uns óculos engraçados e eu fico tentando puxar dos olhos dela. Ela me chama de menino Jesus. A vó Salete, logo quando eu cheguei, ela me via e chorava. Eu ficava querendo saber porque ela chorava, parece que era emocionada. Elas duas também me amam demais.

Aí um dia eu acordei e tinha uma menininha lá em casa, na cama da minha mãe. Eu perguntei quem era e ninguém me entendeu. Achei estranho e não gostei disso não. Será que ela veio pra ficar? Depois eu descobri que sim. O nome dela é Lorenna e a minha mãe teve ela porque eu vim primeiro e deixei a minha mãe feliz. Acredita que ela fica mamando no peito da minha mãe??? Eca! Eu prefiro minha chupeta. Eu não acho certo só ela ficar de madrugada no colo da mamãe, então eu também acordo e quero brincar, afinal eu cheguei antes, né? Aí o papai brinca comigo, me leva pra rede pra tentar me fazer dormir, mas eu engano ele e acordo de novo. Ninguém me deixa chegar perto dela ainda e eu nem sei porque. Sou um cara legal, só tenho uma mão pesadinha. Quando ela crescer a gente vai se dar bem e vamos ajudar a Nana a arrumar a casa. A Nana era da Isabella, mas agora ela é a minha Nana... E da Lorenna, né? Eu gosto de ficar com ela naquela rede que faz um barulho estranho, que a tia Memem odeia. Quando eu tô muito dengoso eu só quero a minha mãe e a Nana.

Quero crescer logo pra brincar com o Davi, o Arthur e o Luiz. Vejo eles correndo e me dá uma vontade, mas eu ainda não sei. E vou brincar de bola com o Thulio. Meu tio Vone diz que ele joga bem que só e eu vou aprender com ele. O meu primo Jenynho é meio doido, minha mãe disse que ele saiu contando pra todo mundo que eu fiquei famoso, porque um monte de mil pessoas curtiu a minha foto na página do Botafogo. Ele disse que ninguém tinha um primo famoso, só ele. E hoje é o aniversário do Jenynho também, quero dar um abraço nele.

Eu quero dizer que fico muito feliz porque todo mundo se alegrou com a minha chegada e me trata com tanto carinho e dengo. A Cicinha, a Neguinha, a Tia Minim... um monte de gente que eu acho legal e também cuida de mim. Vou crescer e ser um cara bacana, porque minha mãe e meu pai vão me ensinar isso. E o amor de todos vocês é importante que só.

Um beijo.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

DOS DESCONEXOS COISISMOS

A taça da copa, que vai acontecer, anda viajando o país e eu me pergunto porque a sujeita metalizada ainda não foi roubada. Por que, sim or? A bandidagi desse país não é mais a mesma. Decepcionadíssima!

Aliás, as pessoas andam fazendo filas para ver esse objeto de tanta representatividade (?). Deve ser uma sensação incrível você ficar horas numa fila e conseguir chegar a alguns metros de distância da coisada de metal, em verde e dourado... e mais nada. Fico com a resposta do meu irmão Geovane, que disse: “nem que ela tivesse aqui na calçada eu não iria ver”. Pois, não é?

Anda circulando pela rede um coisismo querendo o Quincas Barbosa e a Rachel Justiceira Sheherazade para presidente e vice do Brasil, respectivamente. Como aconteceria essa parceria? Ela mandaria matar os bandido tudo e ele legitimaria a ação? Acho que o Quincas não faz muito a linha justiceiro não, dona moça.

Li esses dias pelo mundo virtual alguém dizendo assim: “hoje o dia foi muito Gretchen... horrível!” Poxa, pessoas! Não é porque a pessoa é feia que é preciso dizer que ela é feia. Tadinha da Gretchen, ela é muito feia, mas é... feia! Cada um com a sua feiura, eu sei. Eu cuido bem da minha.  Mas é que a dela é bacana porque é uma feiura especial. Não é qualquer um que pratica o feiurismo com aquela (des)categoria.

Como posso querer compreender questões intrínsecas sobre o desenvolvimento da humanidade, se eu sequer compreendo porque as pessoas gostam de morangos? Eles, os morangos, são feito aqueles caras bonitos que você cobiça a vida inteira e quando consegue beijá-lo, sente um gosto azedo, aguado... total sem graça. Há pessoas que gostam de morangos e não gostam do Moska, pasmem! Pronto, filosofei!

“O volume da TV está altíssimo. O controle está lá perto dela. Minha cabeça tá doendo e minha preguiça gritando. Será que alguém poderia vir aqui em casa pegar o controle pra mim? Só sugerindo”. Pois bem. Postei essa gracinha no Facebook no sábado à noite, para contar de como uma dor de cabeça se apaixonou por mim e isso dura até esse instante em que vos escrevo, pessoas. Então a Cicinha, tadinha, ligou pra mim quando leu, porque pensou que eu tivesse mesmo impedida de pegar o controle, por algo que poderia ter me acontecido. Achei tão amigo e bonitinho... e engraçadinho. Preciso parar com esse meu piadismo desenfreado, eu acho.

Não é que a moça do laboratório digitou meu nomezinho simples e fofo usando uma carga poderosíssima de ípsilones e letras dobradas, capaz de embreguecer qualquer nome no mundo? Essa coisa do estrangeirismo adotado nos nomes próprios brasileiros, é uma arma letal para a dignidade nomenclatória da pessoa. Até convivo bem com o fato de muitos acharem mais fácil me chamar de MilenA, mas Millenny é uma quase morte por constrangimento.

Não era preciso escolher o primeiro táxi da fila, podia escolher qualquer um que ao menos rodasse sem parecer querer desmontar. Maria Clara cochichou um “tia, esse não”, mas sou pessoa boa, não quis desfeitear do moço e entrei... Ou melhor, praticamente caí no assento do carro que era quase no piso. E puxei a porta, porque o moço tava ocupado, receando ficar com a maçaneta na mão e a porta no chão. Do lado de fora eu acredito que as pessoas tenham conseguido ver um tufo de cabelo semigalêgo arrepiado, querendo chegar ligeiro em casa, naquele carro à manivela.


Chega!


domingo, 4 de maio de 2014

DOMINGO DO LADO DE DENTRO


Domingo chuvoso. Chuvinha mansa. Vejo pela janela o acinzentado do dia, porque coragem não tive ainda para espiá-lo mais de perto. Na TV o Tom Zé dança funk com a Valeska Popozuda. Há quem se choque. Eu acho engraçado. Há uma infinidade de coisas mais importantes e preocupantes no mundo, do que o Tom Zé dando uma banana pra seriedade e beijinho no ombro pro recalque passar longe.

Ah, as bananas. O que se há pra falar delas, a não ser que dá uma deliciosa vitamina? Do doce eu não gosto muito não, prefiro, feito de frutas, o do mamão. O moço, Daniel Alves, agiu sem imaginar que essa coisa de comer banana lançada pelo cretino fosse dar tanta fervura. E fervura logo passa, é sabido. Daniel Alves comeu a banana, fez o seu trabalho dentro de campo e depois foi pra sua casa provavelmente luxuosa, enquanto o espanhol racista foi de encontro ao desemprego. Pois é! Em entrevista gravada antes do acontecido, disse o jogador que já está acostumado com esse tipo de manifestação dentro dos estádios e que o problema mesmo é fora dele, é o cotidiano, onde há ainda uma parcela considerável de gente pelo mundo a fora que faz prática do racismo com uma desfaçatez absurda. Ganhou meu respeito o Dani Alves e suas roupas espalhafatosas. Não sucumbiu à necessidade de ganho, em promoção ou dinheiro, desse fato que é recorrente principalmente fora dos holofotes.

E o burburinho ainda rende, cada um se envolvendo como é da sua natureza. Criou-se a rastégui.  Vendeu-se camisetas com dizeres emocionados e caros. Compartilhou-se e opinou-se vorazmente. Os religiosos rechaçaram o parentesco fervorosamente assumido à sua revelia. Os ateus se valeram da ciência e do deboche. A sociedade fingiu debater. Por que a sociedade não se acha racista, ela até considera alguns negros bonitos. E se admira quando alguns deles se destaca numa profissão que a princípio não se esperaria ser ocupada por um negro. A princípio de quem? Li algo por esses dias que dizia mais ou menos assim: “abaixem suas placas e levantem suas atitudes”...

Falemos de assuntos amenos e puros. O amor e as crianças. O Miguel, ele, o meu amorzinho. Pois não é que chegou, já se completam dez dias, a sua irmãzinha? Se chama Lorenna, um belesquinho de gente que não vê graça em dormir à noite. Bem minha sobrinha, madrugadeira que só. Minha irmã ainda não conseguiu fotografá-los juntos, pois o risco do Miguel achar que ela é um brinquedo e querer sacudi-la é iminente. Por hora segue uma foto ajuntada dos dois, que deram àquele lar um aroma de amor e vida nunca antes sentida. Hei de botafoguear também a Lorenna, esperem e confiem. E eles, ela e Miguel, hão de saber que toda gente, embora diferente, é uma coisa só.

Enquanto eu e você conversávamos, o céu se fez azulzinho, num arremedo de claridade, mas tudo é cinza outra vez. Quase chove lá fora. Em mim, tudo é incerto. Desistir dói, mas é preciso.


Um abraço.