sábado, 7 de fevereiro de 2015

Quando Fevereiro Chegou


Almoçando, eu, agora, e cantarolando uns versinhos do Cícero, menino que diz umas coisas bonitas demais nas suas canções. Eu cantava, um verso ou outro, e me lembrava do Vô que me chamava a atenção nessas horas, dizendo que era pecado comer e cantar. Que a hora da comida era sagrada e não se podia desperdiçar atenção com outras coisas sem importância.

Eu parava... depois cantava de novo. O Vô ralhava e sorria. Que a minha voz não é coisa muito bonita de se escutar cantando não, mas a emoção da gente não repara nessas coisas e eu acho é bom, senão, ai de mim, entoava desajeitada nem um versinho.

Fevereiro chegou pra preencher a sua gaveta e me encontrou numa ansiedade nível máster para lhe arranjar bagagem, oxente! E levando fé naquele dito que diz daquilo que a gente quer e precisa só acontecer no tempo certo. O tempo certo é um sujeito demorado, já ganhei ciência disso e tenho tentado ganhar também um bocado de paciência, sabedoria e eteceteras relevantes.

Embora ansiosa, carrego também um pouco de medo. É que espero uma cirurgia transformadora de corpos extremados em fofurice. Espero há tempos, mas a hora se aproxima, embora tenha acontecido impedimentos e estranhezas do acaso. Acontece que com essa onda de desagrado do brasileiro mais sabido em relação aos que, como eu, votaram na Presidente, temo que quando chegar na hora cirúrgica o médico me descubra nesse crime hediondo e diga feito as pessoas nas redes sociais: “Votou na Dilma? Bem feito! Agora vai ficar aí de bucho aberto que é pra aprender”. E se proliferariam memes em todos os cantos internéticos com a minha figura ensanguentada e dizeres satisfeitos deboche e vingança. Eu tentaria ganhar o coração do médico alegando que no primeiro turno não havia votado nela, e que mil vezes se fizesse aquela configuração do final, mil vezes eu repetiria o meu voto. Perigava, depois de tal afirmação, eu que nem carro tenho, ser obrigada a comprar litros e litros de gasolina por dia e ainda firmar campanha para arrumar um homem pra Presidente.

Quando leio coisas obtusas como essa de fazer alusão ao condicionamento, humor, ou qualquer coisa que o valha, de um vivente qualquer a sua carência sexual, ao fato de não ter ninguém do seu lado para as cópulas e tais, eu quero vomitar. Desde muito menina esse tipo de afirmação me deixava injuriada e eu concluo, então, que devo ter um “quê” de feminista. Será? Eu só sei que praticar do constante burrismo eu não quero. Dá pra se pensar o mundo de um jeito bem mais poesia e menos, bem menos rancoroso e vil. O meu umbigo nem é tão bonito assim pra eu perder minutos da minha vã sabedoria prestando atenção nele. O mundo é mais, bem mais que eu. E pra ele ser bom, é de lei que seja bom pra mim e pra tanta gente, pro todo, pro imenso chão e céu.

Vou seguir sonhando.




4 comentários:

  1. Tem coisas que nos enojam ,independente do mês;fevereiro, janeiro maio...

    Seguir sonhando é melhor mesmo! bjks,chica

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  2. Escrevia o poeta que "o sonho comanda a vida"
    E que "sempre que um homem sonha,o Mundo pula e avança" (António Gedeão)
    Boa semana

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  3. Ah então saiu a cirurgia? Já operou seu excesso de fofurice? Me conte please! Ando bem desconectada daqui, dali de acolá. PC estragou e depois telefone, fora o viver a vida que andou me chamando e eu prefiro miles vez! Mas vi lá no FB papo de seu livro???!!! Ainda bem que a Si não se esquece de mim...ainda bem!!!kkkkk
    Beijuuss minha eterna Mi_nina amaaaada

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  4. Oi, MIlene! "O tempo certo é um sujeito demorado"... ooooooooxe, se sei disso!!! E de paciência, digo, não a peça mais... eu passei tantos anos pedindo que agora para todos os lados que olho não me faltam motivos para treiná-la! :p
    Fiquei rindo imaginando seu vô ralhando contigo, meio que sorrindo por dentro. Também me pego muitas vezes assim quando os alunos fazem algo de errado.
    Desejo que sua cirurgia seja um sucesso e que o meme seja de uma Milene sorridente e dizendo em um balãozinho, "yes! deu certo!". Um abraço!

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