segunda-feira, 21 de setembro de 2015

MEIANOITECEU



Já passava da meia noite quando escutou algumas batidas leves na porta. Antes que bem abrisse a visita entrou com jeito de não ter pressa para ir-se dali para mais longe. Solidão era o seu nome, mas tinha vezes de roubar identidade alheia e usava a alcunha de liberdade. Não fazia por mal, era apenas pra não causar uma sensação maior de vazio no peito do sujeito, então vestia essa roupa de transparência, que ia com o vento pra lá e pra cá. Agora, a meia noite acontecia silenciosa, enquanto a visita se acomodava num canto, entre goles de café e uns suspiros de memórias.


7 comentários:

  1. Ela está tão distante da liberdade! Não entra nas casas onde estar só significa prazer, bem estar com a própria companhia. Solidão traduz ausência. E machuca. Bjs.

    ResponderExcluir
  2. Andou a ler Zafón?
    A ambiência é muito semelhante.

    ResponderExcluir
  3. Muitas vezes uma coisa se mistura com a outra, Milene. Muito reflexiva essa postagem. Bjs e boa semana.

    ResponderExcluir
  4. Profunda e intensa.Linda! bjs, chica

    ResponderExcluir
  5. "Às vezes, a solidão é boa companhia. Mas quase sempre precisamos lembrá-la educadamente de que visitas têm hora de ir embora."
    (comentário a Regina, 17/10/12).
    Belíssima minicrônica, menina! Beijo.

    ResponderExcluir
  6. Puxa...
    Linda postagem. Um tiquinho triste' mas linda.

    ResponderExcluir
  7. Milene,
    A sua prosa está cada vez mais apurada. Adorei mesmo!

    Um beijinho :)

    ResponderExcluir