sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Beijo dos Outros Ventos


Ensaio palavras quando já é quase meia noite desse dia dez de setembro, quase sexta-feira. Ensaio palavras que ainda não tenho exata ideia do que dirão ao tempo em que Renato Russo canta aos fones em meus ouvidos. “O pra sempre sempre acaba”, é o que me diz ele e eu tenho cá a desconfiança de que seja bem verdade. Nada nessa vida é eterno, só o amor o é porque ele pode até dar uma fraquejada, mas morrer mesmo, morre não senhor.

O pra sempre, sempre acaba. É verdade, Renato, é verdade, Legião. E não há muito o que eu ou você possamos fazer para evitar que aquilo que há instantes parecia vestido de infinitude simplesmente seja outra coisa qualquer que não aquilo a nos causar um contentamento desmedido. Quando se vê, o que era já não é mais. Tudo, ou muita coisa do que era, ganhou outras nuances, trilhou outros caminhos, perdeu-se de nós, do nosso afeto e saiu por aí a ser beijado por outros ventos. Como isso foi possível? Por que deixamos, eu e você, de sermos interessantes ou especiais? Eu não sei. Talvez porque essa coisa de sentimento não seja feita pra vida toda. Talvez porque tudo tem que se metamorfosear sim senhor. Talvez...

Conjecturar é o que resta quando desafinamos a melodia e essa tal transformação acontece sem jeito de reparo. As pessoas vão e vem da nossa vida e isso é imutável. As pessoas vão e vem da nossa vida e eu não sei direito como ajeitar o pensamento quando acontece essa ida. Eu também vou embora da vida das pessoas sem nem perceber direito, tem vezes. É um direito meu, é um direito delas partirem de mim. Mas, é estranho isso de abandono de afeto, eu acho. Essa coisa de num click definir-se ausências é pra eu não me acostumar nunca nessa vida, mas sigo dizendo do direito que se tem de não ficar. Partir é preciso, assim como navegar? Eu diria que partir é de uma vilania incrível, porque quem fica só lamenta, questiona, se culpa e de certa forma se acovarda quando cala o grito que talvez pudesse reaproximar os afetos, os amores, as amizades. 

Então o tempo, senhor de todas as coisas, trata de cuidar do desassossego. Seguimos eu e você esperando que tudo retorne aos velhos retratos de outrora até que, de tanto esperar, tudo vire saudade ou desimportância. Tudo, exceto o amor, exceto o amor!



5 comentários:

  1. Curioso que tenha acabado de responder a um post noutro blogue onde se afirmava que o amor não é eterno.
    Pode ser, sim senhor.
    Tenho muitos exemplos dessa realidade na minha vida.
    Bfds

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  2. Que lindo e sempre tão legal te ler,Milene! Que acabe tudo, menos o amor! bjs, lindo fds! chica

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  3. "Enquanto o valor do diamante se dilui por toda a eternidade, o valor da flor concentra-se em sua efemeridade. Segundo por segundo, a flor é mil vezes mais valiosa."
    O amor é mais flor que diamante. Que seja infinito... enquanto dure.
    Beijo.

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  4. Milene suas palavras meio que entram por osmose em minha cabeça!!!
    É fácil ler vc... Que texto lindo

    Beijos, sua magrela!!!!

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