sexta-feira, 12 de junho de 2015

CONTRA OU A FAVOR? MUITO PELO CONTRÁRIO...


Anda desabrigado de palavra, o meu canto e eu não sei explicar muito bem a razão. Razão... talvez esteja justamente aí a explicação. Razão demais, emoção de menos.

A mim me parece que tudo já foi escrito, dito, discutido. Roubaram-me os argumentos das coisas cotidianas. Debate-se aos montes, sobre tudo, sobre nada. O que importa é dizer, mesmo que não se saiba muito bem o quê. É preciso saber-se de exacerbada inteligência e opinião, afinal há olhos e ouvidos atentos às falas... Cheias ou vazias.

Toda semana é um assunto novo a assolar pensamentos, indignações e posicionamentos. É preciso ser absolutamente contra, ou a favor. É preciso ser, invariavelmente.

Contemplou-se, na última semana, com a história do travesti, transgênero, qualquer coisa assim, crucificado na Parada Gay. Então se deu a geral revolta porque estava a pessoa afrontando a fé alheia. E todas as boas pessoas de fé se armaram de palavras contra a situação. E todas as pessoas de pouca fé entraram na arenga para defender o posicionamento da artista, que alegou apenas querer chamar a atenção para o quão doloroso é decidir ser quem verdadeiramente é numa sociedade vestida numa hipocrisia elegante e cruel.

Compreendo que muitos se chocaram. Os pastores da mídia vociferaram enlouquecidos, alertando seus seguidores para a gravidade dessa atitude, alegaram que se tratava de deboche acerca da fé alheia e respeito era preciso sempre. Me pus a tentar relembrar dessa mesma indignação quando imagens de Nossa Senhora eram (são) quebradas por mera provocação e não consegui. Ou eu devo estar realmente ficando velha e caduca, ou essa consideração pela fé alheia só tem sentido enquanto for conveniente pra mim. Enfim.

Penso mesmo que é muitíssimo barulho por quase nada. Desentendo porque o pecado do sexo é mais pecado que os demais. Quer dizer, o pecado homossexual é o que mais agride as almas sem pecado algum e isso não é, também, um caso de se meter aonde não foi chamado? O que tanto incomoda a mim o que o outro faz ou deixa de fazer com o corpo dele? O tal pecado abominado por Deus, tem de ser problema meu?

A questão é que quanto mais eu sei sobre religiões, menos vontade tenho de me inserir em uma delas. Que em vez desse rebuliço todo por quase coisa nenhuma, era de muito mais valia a vigília pela dor irmã. Que deveria ser essa a missão maior das religiões, disseminar a compaixão, a solidariedade... o amor. Em vez disso, segue-se na luta incansável pela propagação da vaidade, do poder absoluto sobre a palavra de Deus em detrimento da compreensão e do respeito.

Na minha concepção absolutamente desprovida de senso religioso, penso que Deus deve espiar essa bagaceira toda e diz: “Tão tolos esses meus filhos, pensam que me iludem com bajulações? Pensam que não os vejo oprimindo os seus irmãos em nome da minha palavra que usam como lhe convém?”


Chega de falar do que a minha compreensão pouco alcança. Até mais ver, pessoas do contra e do a favor.