segunda-feira, 11 de abril de 2016

Moedas



Saiu de casa pela manhã com algumas moedas de sentimento no bolso. Havia fome, muita,  e por isso pensava em comprar uma porção sonhos, grandes e doces, a lhe conformarem o apetite voraz pelo viver cheio de mistérios e sons, cheiros, gostos e tais. Mas, o quê!? Viver era caro, era o que descobria enquanto lhe era oferecida apenas meia dúzia de ilusões frias e desbotadas de sabores. A isso recusava aceitação. Seguia em frente, assim, inventando jeitos de caminhar à crise a lhe assombrar bolsos e pensamentos. 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

O CHÃO E AS ASAS



- E você não dança?
Perguntou-me o menino.
- Não! Só com a minha alma eu danço,
Afirmei, categórica e lamentosa.
O corpo não me tira do chão.
O corpo não me tira do chão!
Maldito corpo cheio de erros!
Bendita alma cheia de asas.
Eles são a minha casa
Meu desvario
E eu não me caibo de inquietude
Nessa canção
De me dançar.