sábado, 14 de janeiro de 2017

A Palavra Em Silêncio

Mais de seis meses passados sem que palavras fossem gritadas nesse canto. Sequer sussurradas. Perdi as chaves, digo, a senha. Bati à porta porque queria entrar e se quisesse ficar muda. Ou não. Gritar aos quatro cantos. Abrir as janelas. Ventilar um verso. Dançar. Por que não? Dançar sim senhor! Dizer umas coisas, calar outras tantas. É de falar que a gente entende. É no falar que a gente erra. É de sentir que a gente vive. O que será eu não sei. Eu sequer sei o que sei. Desconfio um tanto. Incerto outros. Transito. Desisto. Ir-me eu pretendo. Para onde? Para quê essas questões difíceis? “Deixe-me ir, preciso andar”. Deixe-me ficar, se eu quiser. Apenas deixe. Por ora, o que eu digo é isso. Quase coisa nenhuma. Enquanto Betânia canta, eu sustento o olhar sobre palavras já ditas. Benditas palavras renascidas, revestidas. Palavras, poemas. Betânia canta. Eu sinto. Talvez eu chore. Quem sabe gargalhe, feito louca quebrando em mil pedaços o silêncio dessa manhã ainda escura e adormecida. Talvez eu apenas durma.

Um comentário:

  1. Porque eu estava com uma saudade de ler e sentir seus dizeres.
    Demore não

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