quinta-feira, 15 de março de 2018

MATARAM, TAMBÉM, A ESPERANÇA




Estava aqui tentando elaborar um texto-fala para um seminário de Linguística II, que acontecerá na manhã de sábado. Pois é, enquanto muitos aproveitam o sábado para coisas outras, eu estudo, porque sou dessas... louca. 

Pois bem. Faltam ajustes. Que eu vou gaguejar, é certo. Avermelhar, também. Mas nem me incomodo como antes. Depois de cada apresentação eu me abraço, digo a mim mesma que já sabia do gaguejamento, afirmo, confiante, que me amo mesmo gaguejante e incerta, e fim...

Enquanto destrincho, ou tento, Ferdinand de Saussure e decido que o chamarei pelo primeiro nome, porque o segundo é complexo para quem mal fala a língua nativa, percorro, com medo, o olhar pelas redes sociais. Soubemos, todos, da execução da vereadora carioca, Marielle Franco.

Soubemos e precisamos nos indignar, enquanto choramos. Aqui tão longe eu obviamente não havia escutado sequer falar o nome dessa moça. Mas não seria absurdo se tivesse ouvido, já que o seu trabalho era tão contundente no sentido de abrir os braços e acolher os oprimidos. Marielle viveu para minimizar os abismos. Marielle não aceitava a opressão. Marielle lutava inclusive por quem hoje ousa escarniar sobre a sua morte, como se alguma coisa nesse mundo justificasse tal absurdo.

Leia comentários nas matérias sobre esse crime e lamente pela sociedade que estamos construindo: sem nenhuma empatia, estupidamente polarizada e inumana. Eu sinto raiva, me entristeço e arranjo pra mim um tanto de desesperança difícil de apartar.

Não importa se você é de esquerda, de direita ou do centro do oco do mundo, se você é um lascado no sentido de ser minoria oprimida, vai precisar que muitas Marielles existam para lutar por você, contra um sistema maldito e insistente em dizer que a cadeira destinada a cada um na sociedade é uma consequência natural e melhor que lutar para atenuar isso, é apenas compreender e aceitar. Aceite que o papel da mulher é o que lhe queiram dar. Aceite que a sociedade atual não tem culpa do que o povo negro sofreu. Aceite que homem com homem e mulher com mulher só é legal se você não der pinta e se comportar perante as pessoas de bem... e olhe lá!

Marielle não aceitou e por isso foi morta com não sei quantos tiros na cara. E aqui eu digito o nome dela mil e novecentas vezes, se preciso for, por que eu jamais vou me esquecer do nome dessa mulher e do quanto ela fará falta a esses a quem tentava proteger. E também a nós, com um pingo de humanindade nesses nossos corações destroçados.

Merielle presente!



3 comentários:

  1. Que tragédia isso...Esperemos que não seja esquecida nunca e que realmente haja a punição! Será????????? beijos, chica

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  2. ¨Aqui tão longe eu obviamente não havia escutado sequer falar o nome dessa moça.¨
    Aqui também não!

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  3. Morreu duplamente
    (tiro e calúnia)
    e haverá outras mortes
    se não se punir
    os assassinos.


    Abraço forte !

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